*** em construção ***



domingo, 22 de agosto de 2010

AKIRA KUROSAWA - Japão





FILMOGRAFIA:

1993 - Madadayo (Madadayo)
1991 - Rapsódia em Agosto (Hachi-gatsu no kyôshikyoku)
1990 – Sonhos (Yume)
1985 - Ran (Ran)
1980 - Kagemusha - A Sombra do Samurai (Kagemusha)
1975 - Dersu Uzala (Dersu Uzala)
1970 - (Dodesukaden)
1965 - O Barba Ruiva (Akahige)
1963 - Céu e Inferno (Tengoku to jigoku)
1962 – Sanjuro (Tsubaki Sanjûrô)
1961 - Yojimbo - O Guarda-Costas (Yojimbo)
1960 - Homem Mau Dorme Bem (Warui Yatsu Hodo Yoku Nemuru)
1958 - A Fortaleza Escondida (Kakushi Toride no San Akunin)
1957 - Ralé (Donzoko)
1957 - Trono Manchado de Sangue (Kumonosu Jo)
1955 - Anatomia do Medo (Ikimono no Kirodu)
1954 - Os Sete Samurais (Shichinin no Samurai)
1952 - Viver (Ikiru)
1951 - Hakuchi - O Idiota (Hakuchi)
1950 - Rashōmon (Rashomon)
1950 - O Escândalo (Shubun)
1949 - Cão Danado (Nora Inu)
1949 - Duelo Silencioso (Shizukanaru Ketto)
1948 - O Anjo Embriagado (Yoidore Tenshi)
1947 - (Subarashiki Nichiyobi)
1946 - (Waga Seishun ni Kuinashi)
1946 - (Asu o Tsukuru Hitobito)
1945 - Os Homens que Pisaram na Cauda do Tigre (Tora No o Wo Fumu Otokachi)
1945 - (Zoku Sugata Sanshiro)
1944 - (Ichiban Utusukushiku)
1943 - (Sugata Sanshiro)
1941 - (Uma)


Kurosawa transcendeu a gêneros, períodos e nacionalidades, mas nunca deixou em segundo plano sua própria cultura, isso é percebido na movimentação dos atores, em sua obsessão por cenários autênticos e as influências dos teatros Nô e Kabuki.
Uma das características mais associadas ao perfil de Kurosawa é o de ser perfeccionista e minucioso. Seu perfeccionismo estava ligado justamente ao fato de o cineasta participar de praticamente todas as etapas do processo de realização de um filme. Ele não apenas dirigia, mas também escrevia os roteiros, desenhava os personagens e as cenas de batalha, ele sempre manteve o hábito de fazer desenhos coloridos das cenas dos seus filmes, que terminavam servindo como storyboard na rodagem, ajudava na fotografia e no posicionamento da câmera e fazia o corte final de suas junto com o montador.

A linguagem cinematográfica de Akira Kurosawa está profundamente interligada ao sentimento humano. Para ele o homem não nascia com direitos sobre o mundo. Para ele nada estava adquirido. Pelo contrário o homem devia olhar de frente o pior do que a humanidade foi e sempre será capaz. Em seus filmes o componente reflexivo, sempre presente, se traduzia em mensagens adequadas ao nosso cotidiano, focalizando um homem frente às escolhas éticas e morais.

Clássico na forma e romântico na essência, Akira Kurosawa foi um cineasta eclético, passando dos dramas históricos samurais às adaptações da literatura ou a crítica da sociedade contemporânea, em que o protagonista invariavelmente prefere a honra a qualquer outro valor (como em Os Sete Samurais) sem que isso significasse a ausência de uma constante temática. “Todos os meus filmes têm um tema em comum: por que os homens não podem ser mais felizes juntos?”
Sua obra densa onde se fundem a alma japonesa e os valores universais, o ideal humanista está subordinado à beleza que jorra em imagens esplendidas criadas com notável senso plástico.

Para ele a objetividade era o requisito mais importante no trabalho de edição:
Não importa quanta dificuldade você encontre para obter determinada tomada, o espectador jamais entenderá isso. Se não for interessante, simplesmente não será interessante. Você pode ter-se tomado de grande entusiasmo ao filmar determinada tomada, mas se esse entusiasmo não é transmitido na tela, você deve ser pragmático o suficiente para cortá-la.”

O mais tocante da obra se Kurosawa está na grandeza de sentimentos.
Seus últimos filmes são pinceladas intimistas sobre o tempo, a morte e a velhice. Perguntaram uma vez a ele sobre "o que faria se tivesse o poder de influenciar a sociedade e mudá-la" e ele disse: “Daria o melhor de mim para aproveitar minhas habilidades como artista. Eu me sinto responsável, verdadeiro e honesto para com minha profissão e estou consciente disso. Eu estou primeiro lidando com a sociedade japonesa e tentando ser cândido ao lidar com nossos problemas. Eu espero que você entenda isso sobre mim quando vir o filme. Como um contador de histórias, não tenho segredos.”

E faz com que seu cinema encontre aí a sua razão de ser, para ele um filme não existia por si só, por jogo ou prazer, um filme devia também ao mundo, como um reparo à dívida e para abater o déficit que temos com o mundo, sendo menos divertido, mas também essencial. - por Hadija Chalupe da Silva

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