*** em construção ***



domingo, 22 de agosto de 2010

ANATOMIA DO MEDO - 1955


Título Original: Ikinomo No Kiroku
Direção: Akira Kurosawa
Origem: Japão
Ano de lançamento: 1955
Gênero: Drama
Duração: 1h 43min
Idioma: Japonês


SINOPSE:
Velho empresário está obcecado com a idéia de que haverá um extermínio nuclear . A família conclui que ele já não é capaz de gerir os negócios e o afasta. Ele continua com medo e tenta convencer a todos a sair do Japão em busca de segurança no Brasil.


ELENCO:

Toshirô Mifune
Takashi Shimura
Minoru Chiaki
Eiko Miyoshi
Kyôko Aoyama
Haruko Togo
Noriko Sengoku
Akemi Negishi
Eijirô Tono
Yutaka Sada
Ken Mitsuda


Anatomia do Medo sintetiza preocupações recorrentes na obra de Akira Kurosawa. O medo iminente de um ataque nuclear é assunto retratado pelo cineasta em diversas obras. Mas Kurosawa não se prende apenas por "este", ou por só "este" medo. Na trama de Ikimono No Kiroku, Kichi Nakajima ( magistralmente interpretado por Mifune) é o empresário que temeroso por um possível ataque nuclear , pretende viver no Brasil com sua família, esta porém, num embate judicial, o acusa de estar com a sanidade comprometida. Kurosawa esmiuça o comportamento humano, o oportunismo gerado pela incompreenssão, a comodidade do que é vantagoso para si. A loucura é a válvula de escape de uma possível ameaça. Ameaça a pretensões particulares, a sanidade e a razão é o comodismo. O medo é desmassificado, é transmutado em niilismo.
Kurosawa sempre viveu com a acusação de realizar filmes ocidentalizados, produzindo com isso um afastamento e uma má vontade por parte da crítica de seu país. Sofreu, artística e pessoalmente. Se no ínicio filmou em profusão - em pouco mais de duas décadas foram 24 filmes - , o mesmo não se deu posteriormente, encontrando cada vez mais dificuldades em conseguir financiamento para suas obras. Veio a depressão, e tentativas de suícidio.
Anatomia do Medo investiga as implicações causadas por uma crença que, por mais possível que possa ser, é vista com distanciamento, é subjugada como irrelevante em detrimento de um "bem maior". O da individualidade, e o da avareza.
Até mesmo Nakajima (Mifune) , se entrega ao restrito, onde a solução idealizada se fecha em torno de si e de sua família. Numa cena maravilhosa se vê indagado por seus empregados, a mercê de sua própria sorte, sob as consequências do futuro, a falta de perspectiva que até então fora ignorada pelo patrão. Mas a percepção do erro é acometida e a insanidade é a redenção para Nakajima. O medo de um ataque nuclear é expandido de uma forma ainda mais aterradora , e se reverte em conformismo, em plenitude individual, onde qualquer comportamento disforme está sob a máscara da insanidade, ou seja, do que não é certo.
Anatomia do Medo é a massificação da loucura, e sendo assim, foi realizado pelas mãos certas. - Roberto (Fonfagu)


Onde encontrar: CINE-CULT-CLASSIC

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