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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

ENTRE OS MUROS DA ESCOLA – 2008


Título Original: Entre les murs
Título em inglês: The class
Direção: Laurent Cantet
Roteiro: Laurent Cantet, François Bégaudeau e Robin Campillo, baseado em livro de François Bégaudeau
Gênero: Drama
Origem: França
Ano de lançamento: 2008
http://www.imdb.com/title/tt1068646/- 7.7/10


Sinopse:

François Marin (interpretado pelo próprio François Bégaudeau) trabalha como professor de língua francesa em uma escola de ensino médio, localizada na periferia de Paris. Ele e seus colegas de ensino buscam apoio mútuo na difícil tarefa de fazer com que os alunos aprendam algo ao longo do ano letivo. A relação entre professor e alunos expõe o que é a juventude e os desafios do ensino atualmente, mas, além disso, funciona como um pequeno espelho da miscigenação cultural e racial que acontece na França.


Elenco:

François Bégaudeau - François Marin
Nassim Amrabt - Nassim
Laura Baquela - Laura
Cherif Bounaïdja Rachedi - Cherif
Juliette Demaille - Juliette
Dalla Doucoure - Dalla
Arthur Fogel - Arthur
Damien Gomes - Damien
Louise Grinberg - Louise
Qifei Huang - Qifei
Wey Huang - Wei
Franck Kelta - Souleymane
Rabah Naît Oufella - Rabah
Carl Nanor - Carl
Esmerálda Ouertani - Sandra
Burak Özyilmar - Burak
Eva Paradiso - Eva
Rachel Régulier - Khoumba
Boubacar Thouré - Boubacar


Premiações:

Festival de Cannes 2008 – recebeu a Palma de Ouro de Melhor Filme
Image Awards 2009 – recebeu prêmio de Melhor fotogafia em filme estrangeiro
César Awards 2009 – recebeu o César de Melhor roteiro adaptado
Independent Spirit Awards 2009 – recebeu prêmio de Melhor filme estrangeiro
Lumiere Awards 2009 – recebeu prêmio de Melhor filme e prêmio da Audiência
Étoiles d'Or 2009 – recebeu prêmio de Melhor filme





Entre os muros da escola é um olhar cru e angustiante sobre os parâmetros de educação e disciplina, sobre a pedagogia e a desresponsabilização, a dificuldade de revestir a figura do professor das doses adequadas de autoridade e companheirismo que lhe permitam, por um lado, educar e impor limites, e, por outro, compreender e inspirar jovens em formação.

Por sua importância e qualidade artística levou a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2008 e recebeu a merecida indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro. A história baseia-se no livro homônimo escrito por François Bégaudeau, que, além de escritor, é também professor.
O diretor Laurent Cantet convidou-o a estrelar o filme juntamente com um elenco formado por não-atores. Durante sete semanas as filmagens aconteceram no interior de uma escola no subúrbio de Paris. O resultado desse trabalho foi um filme exibido nos cinemas de quarenta e quatro países entre maio de 2008 e agosto de 2009 e presente em quatorze festivais de cinema.

O diretor realizou um trabalho quase experimental em seu filme. A história não atravessa os muros escolares, não tem interesse em conhecer seus personagens fora do ambiente de estudo, foco central da trama. Cantet impôs à ficção um tom de realidade documental. Alcançou isso pela opção de utilizar atores não-profissionais que de fato pertencem ao ensino médio de uma escola francesa. O elenco é de uma naturalidade surpreendente.

Para aumentar a veracidade do longa, permitiu aos atores não seguir à risca o que delineava o roteiro, e eles agiam de acordo com indicações do cineasta e por intuições próprias de como essa realidade deveria ser retratada no cinema.
As conversas cruzam-se e sobrepõe-se com a vivacidade e o ruído característicos do ambiente escolar. No cenário limitado da sala, existe uma encenação cuidada e um acumular de emoções, que, quase sem notarmos, nos conduzem ao clímax final.

Cantet exprime uma visão brutalmente realista da decadência escolar como espaço democrático, fenômeno não-exclusivo da sociedade francesa e muito semelhante à realidade brasileira tanto nas instituições públicas como privadas.

Reflexivo como não poderia deixar de ser ao abordar um tema delicado como a educação e o papel da escola na formação de seres humanos, Entre os muros da escola está longe do simplismo e é eficiente em sua proposta de discutir o problema crônico do modelo escolar e dos conflitos sociais ocasionados pelos choques de cultura. O filme escapa do lugar-comum, percorrendo caminhos naturais, sem optar pelo dramático, pela redenção, pela mensagem de esperança. É uma representação crua de uma realidade dura.


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PEQUENA GRANDE ENTREVISTA
colaboração mojo 13


Para o autor, romance e filme não espelham sociedade
Eduardo Simões da reportagem local, Folha de São Paulo

Autor do romance homônimo, ator principal e co-roteirista de "Entre os Muros da Escola", o escritor francês François Bégaudeau discorda de que seu livro ou o filme sejam uma "câmara de eco dos questionamentos, inquietações, dilemas e disputas que agitam o mundo", como afirmou um crítico do jornal francês "Le Monde".
Para Bégaudeau, tais observações são "besteiras políticas" coladas à sua história: "Estes aspectos políticos são muito secundários no filme. O que posso afirmar é que um estabelecimento de ensino popular abriga sempre os conflitos e disfunções de uma sociedade. E, politicamente, creio que um filme não pode provar nada". Leia abaixo trechos da entrevista à Folha, por e-mail.


FOLHA - Antes mesmo de ler seu romance, Laurent Cantet já pensava em usar uma escola como "microcosmo" do mundo, para falar da "integração cultural e social" e de outros temas sociopoliticos característicos de sua obra. A crítica especializada viu seu livro e o filme como uma "caixa de ressonância" da sociedade. O sr. aceita essa análise?

FRANÇOIS BÉGAUDEAU - No que se refere a todas as besteiras políticas ditas sobre "Entre os Muros", quero afirmar que ele não tem nada a dizer sobre todos esses assuntos: imigração, juventude, sociedade francesa etc. Nós não pensamos em mostrar tensões étnicas, mas, antes de tudo, os mal-entendidos entre um adulto e um adolescente em um ambiente escolar.
Trabalhamos efetivamente em torno da questão da lei e da autoridade. Uma espécie de laboratório democrático. Quanto a Cantet, não acho que ele seja um cineasta político. Ele fala de temas políticos, mas eu creio que, no fim das contas, ele o faz de uma maneira psicológica e romanesca. Seu principal tema é sempre a solidão de um homem na sociedade. E as relações de filiação: pai e filho em "Recursos Humanos" (1999) e "A Agenda" (2001); professor e aluno em "Entre os Muros da Escola".

FOLHA- Uma outra análise no jornal "Libération" concluiu que, apesar de Cantet e o sr. serem de esquerda, o filme dá "argumentos sólidos à direita" ao mostrar a falência da "dessacralização do saber" e da autoridade numa escola. Como o sr. viu essa crítica?

BÉGAUDEAU - Também damos argumentos aos pensadores de esquerda! O professor é, sem dúvida, de esquerda e libertário. Mas não tentamos dar razão a ele de um modo sistemático. Na verdade, cada um adquire no filme novas provisões para seu cesto ideológico. Thomas Clerc [autor do ensaio no "Libération"] é um ensaísta reacionário, é normal que ele prefira um professor autoritário. Como professor, fui o inverso disso, porque sou libertário e a autoridade tradicional me faz rir. Eu não acredito no teatro dos adultos.

FOLHA- O que quer dizer exatamente com essa expressão?

BÉGAUDEAU - Todas as organizações, como a escola, a família e a sociedade, repousam sobre a convicção de que alguns sabem mais do que os outros, que alguns detêm o saber e a experiência. Aí está a ilusão. Ilusão na qual acreditamos até o dia em que nos vemos adultos, professores e pais. E aí nos damos conta de que não sabemos muito mais do que sabíamos dez anos antes. E que não dominamos de fato o tema da vida.
Daí é preciso fazer o teatro dos adultos. Não é tão difícil se dar conta de que tudo é teatro. Esse adulto, que tem autoridade, é um pouco como um policial que todos os dias entra em cena ostentando seu uniforme.



Onde encontrar: DON'T PANIC / CINE GRÁTIS

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