*** em construção ***



sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A GRANDE TESTEMUNHA – 1966



Título Original: Au Hasard Balthasar
Direção: Robert Bresson
Roteiro: Robert Bresson
Gênero: Drama
Origem: França
Ano De Lançamento:1966
Música: Jean Wiener
Fotografia: Ghislain Cloquet
IMDB


Sinopse:

A vida de Balthazar, um jumento, desde sua infância ídilica cercado por crianças que o adoravam , até a idade adulta, tiranizado como animal de carga. Sua vida é contada juntamente com a da menina que lhe deu o nome: enquanto ele é maltratado pelo dono , ela será humilhada por um amante sádico. Só vai encontrar um pouco de paz no dia qie é empregado por um velho moleiro, que acredita ser o burro uma reencarnação de um santo.

Elenco:

Anne Wiazemsky
François Lafarge
Philippe Asselin
Nathalie Joyaut
Walter Green
Jean-Claude Guilbert
Pierre Klossowski
François Sullerot
Marie-Claire Fremont
Jean Rémignard

Análise:

Quando vi A Grande Testemunha ( Au Hasard Balthazar, 1966 ), e o filme chegou ao seu fim, fiquei em estado catatônico, imerso numa sensação de desconforto, de vazio, de "real". O filme de Bresson é o distanciamento do sentimento elementar , da conivência, do dramático, palavra esta perigosa para o seu cinema, enraizado na "anti-dramaticidade". A interpretação de seus atores é inexistente ( com frequência Bresson utilizava não profissionais para o seu elenco) , e tudo tem uma aparência mecanizada , como se aquilo a que estamos assistindo não fosse o produto final, e sim um ensaio, do que poderia vir a ser. Essa mecanização impressa em seus personagens distancia qualquer sentimento de compaixão, o nosso "distanciamento de sentimento" , para com eles, personagens humanos. A humanidade de Bresson está à beira de um abismo, sem ter para onde ir, calcada num destino irreversível : o da falta de perspectiva. Eles não acreditam em salvação, eles vivem aquilo que esta acontecendo, ou aquilo que não esta. Há uma cena no filme em que um personagem ( o bêbeado, acusado de assassinato), faz uma oração, no qual implora por salvação, para que não seja condenado, promete então nunca mais beber, caso receba esta "ajuda" Divina. Enquanto faz o pedido, há um corte, e vemos o céu, a lua, e uma nuvem sombria à encobrir, outro corte e o vemos em um bar, não o seu rosto, mas as suas mãos. Não precisamos do seu rosto, sabemos que é ele, não porque a balconista diz o seu nome , enquanto sua mão abraça o copo, não, sabemos, porque sabiamos antes. Por não acreditar na sua promessa . Mas Bresson parece fazer questão de salientar o desprezo por atitudes pequenas e amplia esse discernimento. A fé que falta não é a religiosa. É a individual, é a fé em si mesmo.
Não poderia ser mais eloquente que o personagem principal de "A Grande Testemunha" fosse um animal. É por Balthazar que sentimos alguma coisa.
E pela frieza do cinema de Bresson, evidentemente.

Onde encontrar: CINE GRÁTIS / CINE-CULT-CLASSIC

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