*** em construção ***



sexta-feira, 3 de setembro de 2010

OS NIBELUNGOS – 1924


Título Original: Die Nibelungen: Siegfried / Die Nibelungen: Kriemhilds Rache
Gênero: Aventura / Drama / Fantasia
Tempo De Duração: 2h 22min / 2h 28min
País de origem: Alemanha
Ano De Lançamento: 1924
Idioma: Mudo
Direção: Fritz Lang



SINOPSES:

A Morte De Siegfried
Após roubar o tesouro dos Nibelungos, Siegfried corteja a bela Kriemhild, irmã de Gunther, rei dos Burgúndios. O rei pede que Siegfried o ajude a seduzir a rainha virgem Brunhild que, ao desvendar a trama, pede a cabeça do herói.

A Vingança de Kriemhild
Pesarosa com a morte de seu amado Siegfried, Kriemhild aceita desposar Átila, o Huno, e convida seu irmão, o rei Gunther, e os assassinos de Siegfried para um banquete, no qual finalmente realizará seu plano de vingança.


MATÉRIA:

Em O Desprezo, de Jean-Luc Godard, Fritz Lang repete incessantemente a Michel Piccoli que a morte nunca é uma solução, nos diálogos em que se discute sobre a possibilidade de Ulisses, ao retornar da Guerra de Tróia para Ítaca, não ser mais amado por sua esposa Penélope. As palavras ditas por Lang quase quarenta anos à frente ecoam sobremaneira no dístico Os Nibelungos, que compreende A Morte de Siegfried e A Vingança de Kriemhild (que duram, respectivamente, 141 e 147 minutos, e não os 120 minutos que informam os DVDs da Continental/Magnus Opus): através do mito fundador do povo germânico, o cineasta expõe a inutilidade e a loucura da morte, seja esta justificada pela honra, pela dor ou pela paixão, com o extermínio sistemático promovido por Kriemhild, então rainha dos hunos, contra seus próprios irmãos nibelungos para vingar o assassinato de Siegfried. O sangue que atrai apenas mais sangue, a matança desnecessária que existe para satisfazer a si própria.

Lang dedica Os Nibelungos ao povo alemão, pois, de fato, trata-se da lenda que dá origem e molda a identidade nacional germânica. Na Europa, durante a queda do Império Romano do Ocidente, o herói Siegfried (Paul Richter), após matar o dragão e se banhar em seu sangue, dirige-se para a corte de Worns a fim de conquistar a princesa Kriemhild (Margarete Schön). Ao ajudá-lo a se casar com a valquíria Brunhild (Hanna Ralph), Siegfried torna-se irmão de sangue do rei Gunther (Theodor Loos), e recebe como prêmio a mão de Kriemhild. No entanto, as intrigas de Brunhild – que acusa o herói de tê-la violentado – levam o monarca e o fiel soldado Hagen Tronje (Hans Adalbert Schlettow) a assassinarem Siegfried. Tomada pelo ódio, Kriemhild casa-se com Átila para vingar a morte do primeiro marido: com o intuito de conseguir a cabeça de Tronje, porém, ela aniquila todos os nibelungos, feitos reféns no palácio do líder dos hunos.

Além de embasar todas as sagas pós-modernas que exploram a temática mitológica / fantástica – O Senhor dos Anéis e Harry Potter na dianteira –, Os Nibelungos renderam a magnífica tetralogia operística de Richard Wagner, a saber, O Ouro do Reno, As Valquírias, Siegfried e Crepúsculo dos Deuses. Ao contrário das óperas, Fritz Lang passa rapidamente pelos episódios da descoberta do tesouro dos nibelungos por Siegfried e da subjugação de Brunhild pelo herói a fim de se centrar na (falta de) moralidade que marca as ações desencadeadas por Kriemhild em represália ao assassinato do amado. Está em jogo, para o diretor, a incapacidade do homem em lidar com suas próprias emoções primárias: o amor que se transforma em ódio, levando à decadência individual e social, bem como à destruição da natureza (seja ela criada por Deus ou edificada pelo trabalho humano), tragada pelo caos, enquanto espaço idealizado de ordem e de harmonia terrenas.

Tanto A Morte de Siegfried quanto A Vingança de Kriemhild se estruturam sob o modelo de cantos, ou seja, de blocos narrativos em que, por intermédio dos enunciados temáticos que os precedem, reforçam o colorido épico e lendário da saga dos nibelungos. Todavia, na construção da derrocada moral de Kriemhild e, em conseqüência, de toda a humanidade, Fritz Lang se utiliza de relações diferentes, senão opostas, entre os personagens e os espaços quanto à distribuição de ambos os elementos pelo quadro. Dessa maneira, se em A Morte de Siegfried predomina a arquitetura clara e harmoniosa dos ambientes, os quais se dispõem na tela em linhas verticais, horizontais, diagonais, e, sobretudo, circulares (inclusive através dos fades in e out) – o círculo é considerado, desde a Grécia Clássica, a forma perfeita que somente o homem pode traçar, uma vez que se encontra associada à Razão e às Idéias de Beleza e de Verdade – contra fundos vazios e iluminados, onde os atores principais interagem esparsamente entre si, em A Vingança de Kriemhild impera a confusão espacial e visual, o grafismo caótico em que multidões se digladiam em cenários onde não importam as linhas constitutivas, mas antes as texturas de que são feitos, para, ao estabelecer a fisicalidade e a sanguinolência dos corpos no combate inútil, intensificar a trágica barbárie de que os homens são, ao mesmo tempo, vítimas e responsáveis.

Do idílio terrestre à violência gratuita, Fritz Lang percorre, de A Morte de Siegfried até A Vingança de Kriemhild, o tortuoso caminho das pulsões básicas do homem que, quando se aliam a estruturas de poder e, dessa feita, encontram o veículo necessário para serem divulgadas em massa, conduzem ao mal-estar coletivo e ao fim da civilização, entendida como sistema organizado de valores éticos e morais.Por: Paulo Ricardo de Almeida


ELENCO:

Paul Richter .......... ...........Siegfried
Gertrud Arnold ... ..............Rainha Ute
Margarete Schön ... ...........Kriemhild
Hanna Ralph ... .................Brunhild
Theodor Loos ... ................Rei Gunther
Hans Carl Mueller ..............Gernot
Erwin Biswanger ... ............Giselher
Bernhard Goetzke .............Volker von Alzey
Hans Adalbert Schlettow ... .Hagen Tronje


Onde encontrar: CINE-CULT-CLASSIC

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