*** em construção ***



domingo, 12 de setembro de 2010

UM HOMEM COM UMA CÂMERA – 1929


Título Original: Chelovek s kino-apparatom

Direção: Dziga Vertov
Roteiro: Dziga Vertov
Gênero: Documentário
Origem: União Soviética
Ano de lançamento: 1929
Música: Filme Mudo (a trilha sonora nesse arquivo não é a original , mas uma versão criada pela banda The Cinematic Orchestra)
http://www.imdb.com/title/tt0019760/


começa mais ou menos assim ...

Este filme apresenta uma experiência
na comunicação cinematográfica dos acontecimentos reais.
Sem a ajuda de legendas intercalares, roteiro , cenário ,
sem a ajuda de um teatro
(um filme sem palco, sem atores, etc.).
Este trabalho experimental tem o objetivo
de criar uma linguagem de cinema absoluta
e verdadeiramente internacional
baseada no seu total afastamento
da linguagem do teatro e da literatura.
DZIGA VERTOV

Sinopse:

Cinegrafista carrega sua câmera documentando a vida cotidiana.


Elenco:

Mikhail Kaufman ... O cinegrafista




UM CERTO OLHAR
Texto de Roberto (Fonfagu)

Um homem com uma câmera (Chelovek’s Kinoapparatom URSS, 1929) é possivelmente a expressão máxima da linguagem de cinema proposta por seu idealizador o Russo Dziga Vertov (Denis Abramovich Kaufman 1896-1954).
Jornalista e cineasta vertov ao lado da mulher Elizaveta Svilova e do irmão Mikhail Kaufman cria a sua forma “particular” de realizar filmes, - documentários, o “cinema verdade”, onde a câmera (o olho) é o grande instrumento (não é assim que o cinema tem que ser?) registrando a vida cotidiana , rotineira das cidades, de seus habitantes...


É através das imagens, da forma como é documentada –“A montagem é a parte mais importante de um filme, é verdadeiramente o filme”, dizia Kubrick- que a força descomunal de seu cinema nos salta aos olhos – redundância cinema-olho-, trabalhadores, donas de casas, diversão, esporte, nascimento ( a cena do parto é extraordinária) tudo é registrado pelo “olho” com crueza voyeurística emblemática, a dialética do olhar, quase como um turista à registrar os momentos que mais lhe agrade, registrar-fotografar, foto-fotografia, câmera, olho-cinema- Vertov se utiliza das mais diversas técnicas cinematográficas, zoom, aproximação-distanciamento, divisão de tela, animação, congelamento...um caleidoscópio “cinemático” ( lembremos, o filme é de 1929, ok, havia uma protuberância criativa, de técnicas e formas, de se arriscar, das inúmeras possibilidades desse brinquedo chamado cinema, Griffith, Gance, Einstein estavam aí, a se divertirem com as ferramentas, mas...em um cinema-documental?, patrocinado pelo governo? ) que faz do cinema-verdade um cinema ( também ) poético, conseqüência essa de uma brilhante edição, onde a história contada – história?, onde a “realidade” “filmada” nos é mostrada além da destreza técnica já mensionada e do realismo intensionado por Vertov e sua equipe ( e conseguido) também pelo poder poético de suas imagens, pelo poder do cinema, pelo poder do olho em captar a beleza e a sujeira, o tédio e a agitação....cinema-verdade-cinema-poesia...cinema invenção.


Dziga Vertov realizou, evidentemente, outros trabalhos de importância inegável, as séries “Kinonedelia” e “Kinopravda”, “A Sexta Parte Do Mundo”, “O Décimo Primeiro Ano”....mas, por mais que se evidencie nestas realizações o talento ímpar de seu diretor para a construção de seu cinema social, de seu cinema verdade, é difícil não nos vir à memória “Um Homem Com Uma Câmera” quando visualizamos o nome: Dziga Vertov, a força de suas imagens e toda a inventividade de sua concepção não revolucionou somente a forma documental de se fazer cinema. O cinema verdade de Vertov pertence a essa “arte”, se utiliza dessa “arte” para se comunicar com o mundo, para falar com nós, quer dizer, para mostrar para nós, para nos ver...
Através do “olho” de sua câmera Vertov unificou “essa máquina do entretenimento”, essa “fábrica de ilusões”
Nós assistimos a seu cinema-verdade e por alguns momentos quase nos esquecemos de seu realismo, nos deixando levar pelo registro das imagens, pela beleza documentada de um momento na praia, de uma partida de vôlei, da efervescência da cidade grande, de um atleta em um salto com varas, de um simples operário exercendo seu trabalho ou se divertindo com os amigos...


Sua câmera-olho nos captura, nos prende, com uma eficiência avassaladora, irredutível.

Será que ao olharmos para ela sentimos a mesma coisa que ela, ao olhar para nós?

Será que ela, quando nos vê nos interpreta da mesma forma que a interpretamos?

Será que ela se deixa iludir pela nossa beleza? Pelo nosso realismo?

Ou será que nós nos iludimos pela beleza de seu olhar?

Será?

“UM HOMEM COM UMA CÂMERA: CINEMA-VERDADE, CINEMA-POESIA, CINEMA-CINEMA

“Eu sou o olho. Eu sou o olho mecânico.
Eu, máquina, vos mostro o mundo do modo como só eu posso vê-lo.”

Dziga Vertov

Onde encontrar: CINE GRÁTIS

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