*** em construção ***



quinta-feira, 7 de outubro de 2010

BOCA DE OURO – 1962


Diretor: Nelson Pereira dos Santos
Roteiro: Nelson Pereira dos Santos, baseado em peça de Nelson Rodrigues
Gênero: Drama
Origem: Brasil
Ano: 1962


Sinopse:

Prepotente e cruel, Boca de Ouro manda arrancar todos os dentes perfeitos, substituindo-os por uma dentadura de ouro. Ele também cultiva o sonho de ser enterrado num caixão de ouro só para recompensar o trauma de ter nascido numa gafieira, e de ter sido abandonado pela mãe numa pia de banheiro. Boca de Ouro começa apresentando seu protagonista, que acabara de morrer assassinado. O repórter Caveirinha, designado para descobrir a verdadeira história do marginal, vai entrevistar sua ex-amante, Guigui, que conta três diferentes versões da vida do bicheiro.


Elenco:

Jece Valadão
Odete Lara
Daniel Filho
Maria Lúcia Monteiro
Ivan Cândido
Adriano Lisboa
Geórgia Quental
Maria Pompeu
Sulamith Yaari
Rodolfo Arena
Wilson Grey
Pérola Negra
Hildemar Barbosa
Ricardo Lima
Paulo Copacabana
Francisco Santos



Eis um filme feito para dar certo nas bilheterias: a primeira adaptação do teatro do autor mais polêmico e proibido do teatro nacional, protagonizada pelo cunhado e dirigida por um diretor moderno, acompanhada de um concurso de seios, em plenos anos 60! Sucesso na certa ou fracasso retumbante, sem meio-termo.

Por detrás da cena, no entanto, o clima era outro. Nelson Pereira dos Santos, militante da esquerda e fã do neo-realismo, não tinha afinidade com a exacerbação de Nelson Rodrigues; e Odete Lara achava tudo falso, mesmo os celebrados diálogos do autor. Ambos fizeram o filme pelo cachê. Acontece que, por ironia do destino, Boca de Ouro resultou num ótimo trabalho do diretor e quase certamente na melhor interpretação da bela atriz. De quebra, ainda fez muito sucesso de bilheteria, desencadeando a primeira fase de adaptações das peças rodriguianas.

A estrutura deste filme é nitidamente influenciada pelo Rashomon, de Kurosawa. Um personagem conta a mesma história de maneira diferente, de acordo com as suas circunstâncias emocionais. O enredo, saído das sensacionalistas páginas policiais cariocas dos anos 50, fala do jogo do bicho, tema ainda virgem no teatro sério da época. E tem grã-finas, dignas das colunas de Ibrahim Sued e Jacinto de Thormes, envolvidas com o baixo mundo das navalhadas e assassinatos.

De um lado, temos uma adaptação fiel do espetáculo teatral, com os diálogos aparentemente coloquiais, a um passo da comédia e do dramalhão — destaque para o desempenho magistral de Jece Valadão, fazendo o tipo cafajeste carioca que marcou sua carreira. De outro, o realismo social do diretor, em duas seqüências antológicas: a conversa entre Leleco e Celeste numa passarela da Central do Brasil e a cena final no necrotério, com d. Guigui, o marido e os jornalistas. Este é um exemplo do melhor cinema industrial carioca pós-chanchada, porém anterior ao golpe militar. Está muito próximo, por exemplo, de Assalto ao trem pagador, de Roberto Farias, e Engraçadinha depois dos trinta, Asfalto selvagem e Massacre no supermercado, de J. B. Tanko — todos produzidos ou coproduzidos por Herbert Richers. Comercial, eficiente e popular, uma corrente promissora, ainda pouco estudada, castrada pela chegada do Cinema Novo. - por João Carlos Rodrigues


Onde encontrar: O SÉTIMO PROJETOR

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