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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

TRILOGIA DE TERROR – 1968



Diretores: José Mojica Marins, Ozualdo Candeias, Luís Sérgio Person
Roteiro: Ozualdo Candeias, Luís Sérgio Person e José Mojica Marins e Rubens Francisco Luchetti
Gênero: Terror
Origem: Brasil
Ano: 1968


Sinopse:

Três diretores contam três histórias de horror adaptadas da série de TV "Além, Muito Além Do Além". Em "O Acordo" (de Candeias), uma mãe se envolve com magia negra e oferece uma donzela ao diabo em troca de casar a filha solteira, em "Procissão Dos Mortos" (de Person), um pobre, mas destemido operário, é o único homem numa cidadezinha do interior com coragem para enfrentar um grupo de guerrilheiros fantasmas que aparecem durante a madrugada, "Pesadelo Macabro" (de Mojica) fala de um rapaz que é aterrorizado por cobras e lagartos em pesadelos nos quais é enterrado vivo.


Elenco:

Lucy Rangel
Regina Célia
Durvalino De Souza
Luiz Humberto
Ubirajara Gama
Alex Ronay
Henrique Borges
Nadia Tell
Eddio Smanio
Eucaris Moraes
Assis Dias
José Júlio Spiewak
Lima Duarte
Cacilda Lanuza


No primeiro semestre de 1968 ficou pronto o filme "Trilogia De Terror".

Produzido por Antônio Polo Galante e Renato Grecchi, o longa-metragem tem três episódios, com direção de José Mojica Marins, Ozualdo Candeias e Luís Sérgio Person. O episódio "Pesadelo macabro", dirigido por Mojica, foi idealizado para se tornar a adaptação cinematográfica de capítulos da série televisiva Além, muito além do além, que o próprio Mojica mantinha na TV Bandeirantes desde setembro de 1967.

Ex-parceiros de Mojica, Person (roteirista não creditado de A sina do aventureiro) e Candeias (roteirista também não creditado de Meu destino em tuas mãos e eventual colaborador em outras produções do amigo) escolheram dirigir, respectivamente, os episódios "Procissão dos mortos", sobre uma cidade aterrorizada por fantasmas, e "Noite negra", renomeado para o cinema como "O acordo", sobre uma mulher desesperada que pactua com o demônio à espera da cura para a doença de sua filha.

A partir de enredos bem diferentes, surgiu uma tendência comum aos dois cineastas no filme "Trilogia de Terror": a intelectualização de temas originalmente voltados para o consumo popular. Na direção do politizado Person, os espíritos que assombram a cidade interiorana se transformaram em “guerrilheiros espaciais”, devidamente trajados de boinas e metralhadoras, espelhando semelhança assombrosa e ambígua com o então recém-falecido Che Guevara.

Na direção de Candeias, o cotidiano de outra pequena cidade, recriado à moda western e tomado por entidades mágicas, é retratado em narrativa fragmentada, distante do modelo cinematográfico clássico e comercial.

Mojica, por sua vez, optou por outro caminho. Ao filmar "Pesadelo macabro", sobre um rapaz, Cláudio, atormentado pelo receio de ser enterrado vivo, o diretor utilizou elementos comerciais próximos aos que o consagraram na pele de Zé do Caixão em longas-metragens como À meia-noite levarei sua alma e Esta noite encarnarei no teu cadáver. Dos pesadelos do protagonista, repletos de rostos disformes, gritos, cobras, aranhas e sapos; ao ritual de macumba em que homens comem vidro e um pai-desanto quase circense chicoteia jovens donzelas em um processo de purificação e nudez, Mojica soube mobilizar o imaginário popular em torno do terror e do erótico, oferecendo um espetáculo grotesco pleno de voyeurismo.

Este apelo ao imaginário ganhou força pela escolha da temática: ser enterrado vivo parece, ainda hoje, um dos grandes temores da humanidade. A imagem de um corpo a se debater solitário, certo da morte próxima, é recorrente na dramatur gia, reflexo de um calafrio a incomodar o espectador. Da mesma forma, incomoda a cena construída por Mojica para mostrar o desespero de Cláudio ao desper tar dentro do caixão: seu grito, silenciado pelos palmos de terra, é uma tentativa inútil de conseguir ajuda.

O escritor norte-americano Edgar Allan Poe, no conto "O enterramento prematuro", descreveu tal sentimento com maestria: "A insuportável opressão dos pulmões, os vapores sufocantes da terra úmida, o contato dos ornamentos fúnebres, o rígido aperto das tábuas do caixão, o negror da noite absoluta". - Roberto(Fonfagu)


Onde encontrar: CINE-CULT-CLASSIC

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