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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

FILMES BASEADOS EM OBRAS DE SHAKESPEARE




William Shakespeare, poeta e dramaturgo inglês, é o mais influente dramaturgo do mundo. Produziu a maior parte de sua obra entre 1590 e 1613. Suas primeiras peças eram principalmente comédias e histórias, gêneros que ele levou ao ápice da sofisticação e do talento artístico ao fim do século XVI.

A partir de então escreveu apenas tragédias até por volta de 1608, incluindo Hamlet, Rei Lear e Macbeth, consideradas algumas das obras mais importantes na língua inglesa. Nesta sua última fase, escreveu tragicomédias, também conhecidas como romances, e colaborou com outros dramaturgos. Diversas de suas peças foram publicadas, em edições com variados graus de qualidade e precisão.

Foi um poeta e dramaturgo respeitado em sua própria época, mas sua reputação só viria a atingir o nível em que se encontra hoje no século XIX. Os românticos, especialmente, aclamaram a genialidade de Shakespeare, e os vitorianos idolatraram-no como um herói, com uma reverência que George Bernard Shaw chamava de "bardolatria". No século XX sua obra foi adotada e redescoberta repetidamente por novos movimentos, tanto na academia e quanto na performance.

Suas peças permanecem extremamente populares, e são estudadas, encenadas e reinterpretadas constantemente, em diversos contextos culturais e políticos, por todo o mundo.



Nota: sua obra pode ser encontrada traduzida para download gratuito na biblioteca eletrônica Domínio Público, do Governo Federal, ou textos no original no site The Complete Works of William Shakespeare



FILMES:

10 COISAS QUE ODEIO EM VOCÊ - 1999 (10 THINGS I HATE ABOUT YOU), EUA, de Gil Junger, com Julia Stiles, baseado na comédia A Megera Domada

À SOMBRA DAS PIRÂMIDES – 1972 (ANTONY_AND_CLEOPATRA), Inglaterra, Espanha, Suíça, de e com Charlton Heston, baseado na tragédia Antônio e Cleópatra

AMOR SUBLIME AMOR – 1961 (WEST SIDE STORY), EUA, de Robert Wise, com Natalie Wood e Richard Beymer, baseado na tragédia Romeu e Julieta.

AS YOU LIKE IT - 2006, EUA, Inglaterra, de Kenneth Branagh, com Bryce Dallas Howard, baseado na comédia Como Gostais

BADALADAS À MEIA NOITE – 1965 (CAMPANADAS A MEDIANOCHE), Espanha, França, Suíça, de Orson Welles, com Orson Welles e Jeanne Moreau, baseado em fragmentos e personagens de diversas peças de Shakespeare, entre eles o “anti-herói” Sir John Falstaff, fio condutor da história

CANDANGO NA BELACAP, UM - 1961, Brasil, de Roberto Farias, com Ankito e Grande Otelo, que parodia Romeu e Julieta.

CASAMENTO DE ROMEU E JULIETA, O - 2005, Brasil, de Bruno Barreto, com Luana Piovani e Marco Ricca, baseado na tragédia Romeu e Julieta.

COMO GOSTAIS - 1936 (AS YOU LIKE IT), Inglaterra, de Paul Czinner, com Laurence Olivier, baseado na comédia homônima.

DOMÍNIO DO MAL, O – 2006 (MACBETH), Austrália, de Geoffrey Wright, baseado em Macbeth

ELA É O CARA - 2006 (SHE'S THE MAN), EUA, de Andy Fickman, com Amanda Bynes, baseado na comédia Noite de Reis

HAMLET - 1948, Inglaterra, de e com Laurence Olivier, baseado na tragédia Hamlet

HAMLET – 1964, União Soviética, de Grigori Kozintsev, com Innokenty Smoktunovsky, baseado na tragédia homônima.

HAMLET – 1964 (RICHARD BURTON’S HAMLET), EUA, de Bill Colleran (filme) e John Gielgud (teatro), com Richard Burton, baseado na obra homônima

HAMLET - 1969, Inglaterra, de Tony Richardson, com Nicol Williamson, baseado na tragédia Hamlet

HAMLET - 1990, EUA, Inglaterra, França, de Franco Zeffirelli, com Mel Gibson, Glenn Close e Helena Bonham Carter, música por Ennio Morricone, baseado na tragédia homônima


HAMLET - 1996, EUA e Inglaterra, de Kenneth Branagh, com Branagh, Julie Christie e Kate Winslet, baseado na tragédia Hamlet

HAMLET - 2000, EUA, de Michael Almereyda, com Ethan Hawke e Julia Stiles, baseado na tragédia homônima

HENRY V – 1989, Inglaterra, de e com Kenneth Branagh, baseado na história de Henrique V

HERANÇA, A - 1970, Brasil, de Ozualdo Candeias, baseado em Hamlet

HOMEM MAU DORME BEM – 1960 (WARUI YATSU HODO YOKU NEMURU), Japão, de Akira Kurosawa, com Toshirō Mifune, baseado na peça Hamlet

HOMENS DE RESPEITO – 1991 (MEN OF RESPECT), EUA, de William Reilly, com John Turturro, baseado na tragédia Macbeth

JOGO DE INTRIGAS – 2001 (O), EUA, de Tim Blake Nelson, com Julia Stiles, baseado na tragédia Otelo, o Mouro de Veneza

JÚLIO CÉSAR, 1950 (JULIUS CAESAR), EUA, de David Bradley, com Charlton Heston, baseado na tragédia Júlio César

JÚLIO CÉSAR - 1953 (JULIUS CAESAR), EUA, de Joseph L. Mankiewicz, com Marlon Brando, baseado na tragédia homônima

JÚLIO CÉSAR - 1970 (JULIUS CAESAR), Inglaterra, de Stuart Burge, com Charlton Heston (Mark Antony), Jason Robards (Brutus), John Gielgud (Julius Caesar), Richard Johnson (Cassius), Robert Vaughn (Casca), Richard Chamberlain (Octavius), Diana Rigg (Portia), Jill Bennett (Calpurnia), Christopher Lee, Michael Gough e André Morell.

MACBETH,- 1948, EUA, de e com Orson Welles, baseado na tragédia Macbeth

MACBETH – 1971, Inglaterra, EUA, de Roman Polanski, com Jon Finch, baseado na peça homônima

MACBETH – 1979 (A PERFORMANCE OF MACBETH), TV, Inglaterra, de Trevor Nunn, com Ian McKellen e Judi Dench, baseado na tragédia homônima

MACBETH – 1983, TV BBC, EUA, Inglaterra, de Jack Gold, com Nicol Williamson, baseado na tragédia homônima

MACBETH – 1998, TV, Inglaterra, de Michael Bogdanov, com Sean Pertwee, baseado na peça Macbeth

MARÉ, NOSSA HISTÓRIA DE AMOR - 2008, Brasil, de Lúcia Murat, com Marisa Orth, baseado em Romeu e Julieta

MEGERA DOMADA, A – 1967 (THE TAMING OF THE SHREW OU LA BISBETICA DOMATA), EUA, Itália, de Franco Zeffirelli, com Elizabeth Taylor e Richard Burton, baseado na comédia A Megera Domada

MEGERA DOMADA, A – 2005 (SHAKESPEARE-TOLD" THE TAMING OF THE SHREW), Inglaterra, de David Richards, baseado na obra homônima

MERCADOR DE VENEZA, O – 1973 (THE MERCHANT OF VENICE), TV, Inglaterra, de John Sichel, com Laurence Olivier, baseado na obra homônima

MERCADOR DE VENEZA, O – 2004 (THE MERCHANT OF VENICE), EUA, de Michael Radford, com Jeremy Irons e Al Pacino, baseado na obra homônima

MUITO BARULHO POR NADA - 1993 (MUCH ADO ABOUT NOTHING), EUA, Inglaterra, de Kenneth Branagh, com Branagh, Emma Thompson, Keanu Reeves, Denzel Washington e Michael Keaton, baseado na comédia homônima

NOITE DE REIS, 1996 (TWELFTH NIGHT), EUA, Inglaterra, Irlanda, de Trevor Nunn, baseado na obra Noite de Reis

OTHELLO - 1952, EUA, Itália, França, Marrocos, de e com Orson Welles, baseado na tragédia Otelo, o Mouro de Veneza

OTHELLO - 1995, EUA, Inglaterra, de Oliver Parker, com Laurence Fishburne, baseado na tragédia homônima

PLANETA PROIBIDO - 1956 (FORBIDDEN PLANET), EUA, de Fred M. Wilcox, com Walter Pidgeon, Anne Francis e Leslie Nielsen, baseado na peça A Tempestade

RAN - 1985, Japão, França, de Akira Kurosawa, baseado na tragédia Rei Lear

REI LEAR - 1983 (KING LEAR), TV, Inglaterra, de Michael Elliott, com Laurence Olivier, baseado na tragédia homônima

RICARDO III – 1995 (RICHARD III), EUA, Inglaterra, de Richard Loncraine, com Ian McKellen, Annette Bening, Jim Broadbent, Robert Downey Jr. e John Wood, baseado na obra homônima.

ROMEU E JULIETA - 1936, (ROMEO AND JULIET), EUA, de George Cukor, com Norma Shearer, Leslie Howard, e John Barrymore, baseado na tragédia Romeu e Julieta

ROMEU E JULIETA - 1954 (ROMEO AND JULIET), Inglaterra, Itália, de Renato Castellani, com Laurence Harvey, baseado na tragédia homônima

ROMANOFF E JULIETA – 1961 (ROMANOFF AND JULIET), EUA, de Peter Ustinov, com Sandra Dee, baseado na tragédia Romeu e Julieta.


ROMEU E JULIETA – 1968 (ROMEO AND JULIET), Itália, Inglaterra, de Franco Zeffirelli, com Olivia Hussey e Leonard Whiting, baseado na peça Romeu e Julieta

ROMEU + JULIETA – 1996 (ROMEO + JULIET), EUA, de Baz Luhrmann, com Leonardo di Caprio e Claire Danes

ROSENCRANTZ E GUILDERSTERN ESTÃO MORTOS – 1990 (ROSENCRANTZ & GUILDENSTERN ARE DEAD), Inglaterra, EUA, de Tom Stoppard, com Gary Oldman, Tim Roth e Richard Dreyfuss, baseado na tragédia Hamlet

SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO - 1935 (A MIDSUMMER NIGHT'S DREAM), EUA, de William Dieterle e Max Reinhardt, com James Cagney, baseado na obra homônima

SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO – 1999 (A MIDSUMMER NIGHT'S DREAM), Itália, Inglaterra, EUA, de Michael Hoffman, com Kevin Kline e Michelle Pfeiffer, baseado na comédia homônima.

TEMPESTADE, A – 1979 (TEMPEST, THE), Inglaterra, de Derek Jarman, baseado na comédia A Tempestade

TEMPESTADE, A – 1982 (TEMPEST), EUA, de Paul Mazursky, com Gena Rowlands, John Cassavetes e Susan Sarandon, baseado na obra homônima

TERRAS PERDIDAS – 1997 (A THOUSAND ACRES), EUA, de Jocelyn Moorhouse, com Michelle Pfeiffer, Jessica Lange e Colin Firth, baseado na tragédia Rei Lear

TRONO MANCHADO DE SANGUE – 1957 (KUMONOSU-JŌ), Japão, de Akira Kurosawa, com Toshirō Mifune, baseado na tragédia Macbeth.

ÚLTIMA TEMPESTADE, A – 1991 (PROSPERO'S BOOKS), Japão, Itália, Holanda, França, Inglaterra, de Peter Greenaway, com John Gielgud, baseado na comédia A Tempestade


RELACIONADO

SHAKESPEARE APAIXONADO - 1998 (SHAKESPEARE IN LOVE), EUA, Inglaterra, de John Madden, com Gwyneth Paltrow e Joseph Fiennes


TRONO MANCHADO DE SANGUE – 1957



O profundo conhecimento que Kurosawa demonstrava ter da obra trágica de William Shakespeare torna-se evidente nas suas três realizações: Trono manchado de sangue (Kumonosu-jô, 1957), baseada na peça Macbeth; Ran (1985), baseada na peça Rei Lear e Homem mau dorme bem (Warui yatsu hodo yoku nemuru, 1960), uma retomada da peça Hamlet.
Provavelmente Kurosawa adaptou em primeiro lugar a peça Macbeth por ser seu “Shakespeare preferido”, segundo o estudioso Donald Richie. Para criar sua adaptação fílmica da peça shakespeariana, Kurosawa demorou alguns anos a mais do que pretendia. Segundo as próprias palavras do diretor: “Ao terminar Rashômon, eu queria fazer algo com Macbeth, mas justamente naquela época foi noticiada a versão de Orson Welles e, portanto, adiei a minha”.

Durante o período que decorreu entre o término de Rashômon e as filmagens de Trono manchado de sangue, o diretor pôde amadurecer suas idéias. Ao transpor a tragédia shakespeariana para o feudalismo japonês, Kurosawa empreendeu algumas escolhas como a transformação do protagonista em um valoroso samurai no início do filme. Trono manchado de sangue retrata um enredo produzido com nuances tão dramáticas e de uma complexidade humana tão intensa que são comparáveis às de Shakespeare, embora pouco ou nada do texto original da peça esteja presente nas falas dos personagens dentro do filme. O mérito do filme é ter alcançado êxito ao re-trabalhar, de uma maneira radical, uma peça shakespeariana para a grande tela sob o prisma de uma cultura e história não-ocidentais. Este filme faz parte da categoria de filmes autorais, ou seja, ele expressa uma visão muito particular da tragédia shakespeariana da qual partiu.

Considerado por muitos uma verdadeira obra-prima e uma adaptação brilhante da obra de Shakespeare, é como foi dito pelo Prof. Fernando Ferreira, PUC-Rio:

Eu acho que ninguém fez cinema baseado em Shakespeare de forma mais autêntica do que Kurosawa. Ele não se preocupou em reproduzir a essência literária dessas obras porque, na cabeça de Kurosawa, isso era o menos importante, era a linguagem específica daquele autor. A linguagem específica de Kurosawa era cinema e essa linguagem não podia estar dominada pelo antecedente que o inspirou.”


Título Original: Kumonosu-jô
Título em inglês: Throne of Blood
Direção: Akira Kurosawa
Roteiro: Shinobu Hashimoto, Ryûzô Kikushima, Akira Kurosawa e Hideo Oguni, baseado em peça de William Shakespeare
Produção: Sôjirô Motoki e Akira Kurosawa
Gênero: Drama/Guerra/Fantasia/Suspense
Origem: Japão
Ano: 1957
Música: Masaru Satô
Fotografia: Asakazu Nakai
Edição: Akira Kurosawa:
http://www.imdb.com/title/tt0050613/ - 8.1/10


Sinopse:

Trono Manchado de Sangue adapta a obra Macbeth, de Shakespeare, para o Japão Feudal de maneira brilhante, e conta a história de Washizu e Miki, dois valentes samurais que, em regresso aos seus domínios depois de uma batalha vitoriosa, encontram no caminho o espírito de uma misteriosa senhora que prediz o futuro de ambos. A partir deste fato Washizu, influenciado por sua esposa Asaji, se vê imerso numa trágica e sangrenta luta pelo poder.


Elenco:

Toshirô Mifune - Taketori Washizu
Isuzu Yamada - Lady Asaji Washizu
Takashi Shimura - Noriyasu Odagura
Akira Kubo - Yoshiteru Miki
Hiroshi Tachikawa - Kunimaru Tsuzuki
Minoru Chiaki - Yoshiaki Miki
Takamaru Sasaki - Kaniharu Tsuzuki
Takeshi Katô - Guarda
Chieko Naniwa - Velha mulher fantasma
Kokuten Kodo - Comandante
Eiko Miyoshi - Velha Mulher do Castelo
Kichijiro Ueda - Trabalhador de Washizu
Nakajiro Tomita - Segundo Comandante


Onde encontrar: DON'T PANIC

HOMEM MAU DORME BEM - 1960


Homem Mau Dorme Bem, como definiu o próprio diretor, é uma espécie de denúncia da corrupção e dos crimes que acontecem nos bastidores do mundo dos negócios, a impotência do indivíduo isolado contra a desonestidade organizada, com forte influência do gênero noir. História shakespeareana que remete a Hamlet.


Título Original: Warui yatsu hodo yoku nemuru
Título em inglês: The Bad Sleep Well
Direção: Akira Kurosawa
Roteiro: Shinobu Hashimoto, Eijirô Hisaita, Mike Y. Inoue, Ryuzo Kikushima, Akira Kurosawa, Hideo Oguni, baseado em peça de William Shakespeare
Produção: Akira Kurosawa, Tomoyuki Tanaka
Gênero: Drama/Suspense/Noir
Origem: Japão
Ano: 1960
Música: Masaru Satō
Fotografia: Yuzuru Aizawa
Edição: Akira Kurosawa
http://www.imdb.com/title/tt0054460/- 8.0/10


Sinopse:

Kurosawa inspirou-se em Hamlet para contar a história passada no Japão pós-guerra. A filha de um grande empresário casa-se com um dos seus funcionários. Já na festa de casamento circulam rumores sobre o suicídio, cinco anos antes, do pai do noivo, que também havia sido empregado da empresa. O filme gira em torno da investigação do filho desconfiado da versão dada para a morte de seu pai.
Foi indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim em 1961.


Elenco:

Toshirô Mifune - Koichi Nishi
Masayuki Mori - Iwabuchi
Kyôko Kagawa - Keiko Nishi
Tatsuya Mihashi - Tatsuo Iwabuchi
Takashi Shimura - Moriyama
Kô Nishimura - Shirai



Onde encontrar: DON'T PANIC / CINE-CULT-CLASSIC

domingo, 12 de setembro de 2010

UM HOMEM COM UMA CÂMERA – 1929


Título Original: Chelovek s kino-apparatom

Direção: Dziga Vertov
Roteiro: Dziga Vertov
Gênero: Documentário
Origem: União Soviética
Ano de lançamento: 1929
Música: Filme Mudo (a trilha sonora nesse arquivo não é a original , mas uma versão criada pela banda The Cinematic Orchestra)
http://www.imdb.com/title/tt0019760/


começa mais ou menos assim ...

Este filme apresenta uma experiência
na comunicação cinematográfica dos acontecimentos reais.
Sem a ajuda de legendas intercalares, roteiro , cenário ,
sem a ajuda de um teatro
(um filme sem palco, sem atores, etc.).
Este trabalho experimental tem o objetivo
de criar uma linguagem de cinema absoluta
e verdadeiramente internacional
baseada no seu total afastamento
da linguagem do teatro e da literatura.
DZIGA VERTOV

Sinopse:

Cinegrafista carrega sua câmera documentando a vida cotidiana.


Elenco:

Mikhail Kaufman ... O cinegrafista




UM CERTO OLHAR
Texto de Roberto (Fonfagu)

Um homem com uma câmera (Chelovek’s Kinoapparatom URSS, 1929) é possivelmente a expressão máxima da linguagem de cinema proposta por seu idealizador o Russo Dziga Vertov (Denis Abramovich Kaufman 1896-1954).
Jornalista e cineasta vertov ao lado da mulher Elizaveta Svilova e do irmão Mikhail Kaufman cria a sua forma “particular” de realizar filmes, - documentários, o “cinema verdade”, onde a câmera (o olho) é o grande instrumento (não é assim que o cinema tem que ser?) registrando a vida cotidiana , rotineira das cidades, de seus habitantes...


É através das imagens, da forma como é documentada –“A montagem é a parte mais importante de um filme, é verdadeiramente o filme”, dizia Kubrick- que a força descomunal de seu cinema nos salta aos olhos – redundância cinema-olho-, trabalhadores, donas de casas, diversão, esporte, nascimento ( a cena do parto é extraordinária) tudo é registrado pelo “olho” com crueza voyeurística emblemática, a dialética do olhar, quase como um turista à registrar os momentos que mais lhe agrade, registrar-fotografar, foto-fotografia, câmera, olho-cinema- Vertov se utiliza das mais diversas técnicas cinematográficas, zoom, aproximação-distanciamento, divisão de tela, animação, congelamento...um caleidoscópio “cinemático” ( lembremos, o filme é de 1929, ok, havia uma protuberância criativa, de técnicas e formas, de se arriscar, das inúmeras possibilidades desse brinquedo chamado cinema, Griffith, Gance, Einstein estavam aí, a se divertirem com as ferramentas, mas...em um cinema-documental?, patrocinado pelo governo? ) que faz do cinema-verdade um cinema ( também ) poético, conseqüência essa de uma brilhante edição, onde a história contada – história?, onde a “realidade” “filmada” nos é mostrada além da destreza técnica já mensionada e do realismo intensionado por Vertov e sua equipe ( e conseguido) também pelo poder poético de suas imagens, pelo poder do cinema, pelo poder do olho em captar a beleza e a sujeira, o tédio e a agitação....cinema-verdade-cinema-poesia...cinema invenção.


Dziga Vertov realizou, evidentemente, outros trabalhos de importância inegável, as séries “Kinonedelia” e “Kinopravda”, “A Sexta Parte Do Mundo”, “O Décimo Primeiro Ano”....mas, por mais que se evidencie nestas realizações o talento ímpar de seu diretor para a construção de seu cinema social, de seu cinema verdade, é difícil não nos vir à memória “Um Homem Com Uma Câmera” quando visualizamos o nome: Dziga Vertov, a força de suas imagens e toda a inventividade de sua concepção não revolucionou somente a forma documental de se fazer cinema. O cinema verdade de Vertov pertence a essa “arte”, se utiliza dessa “arte” para se comunicar com o mundo, para falar com nós, quer dizer, para mostrar para nós, para nos ver...
Através do “olho” de sua câmera Vertov unificou “essa máquina do entretenimento”, essa “fábrica de ilusões”
Nós assistimos a seu cinema-verdade e por alguns momentos quase nos esquecemos de seu realismo, nos deixando levar pelo registro das imagens, pela beleza documentada de um momento na praia, de uma partida de vôlei, da efervescência da cidade grande, de um atleta em um salto com varas, de um simples operário exercendo seu trabalho ou se divertindo com os amigos...


Sua câmera-olho nos captura, nos prende, com uma eficiência avassaladora, irredutível.

Será que ao olharmos para ela sentimos a mesma coisa que ela, ao olhar para nós?

Será que ela, quando nos vê nos interpreta da mesma forma que a interpretamos?

Será que ela se deixa iludir pela nossa beleza? Pelo nosso realismo?

Ou será que nós nos iludimos pela beleza de seu olhar?

Será?

“UM HOMEM COM UMA CÂMERA: CINEMA-VERDADE, CINEMA-POESIA, CINEMA-CINEMA

“Eu sou o olho. Eu sou o olho mecânico.
Eu, máquina, vos mostro o mundo do modo como só eu posso vê-lo.”

Dziga Vertov

Onde encontrar: CINE GRÁTIS

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

KEOMA - 1976


Título Original: Keoma
Título em inglês: Django Rides Again
Direção: Enzo G. Castellari
Roteiro: George Eastman, Enzo G. Castellari, Nico Ducci, Mino Roli e Joshua Sinclair (diálogos)
Gênero: Ação/Drama/Faroeste
Origem: Itália
Ano de Lançamento: 1976
Música: Guido de Angelis, Maurizio de Angelis
Fotografia: Aiace Parolin
http://www.imdb.com/title/tt0074740/ - 7.1/10


Sinopse:

Ao final da Guerra Civil Americana, Keoma, um pistoleiro mestiço, cansado de fazer da morte um meio de vida, retorna para aquilo que um dia costumava ser seu lar. Encontra sua cidade natal totalmente destruída pela peste e sob o comando de um homem chamado Caldwell. Seus meio-irmãos Butch, Sam e Lenny trabalham para Caldwell e Keoma se vê sozinho contra todos.


Elenco :

Franco Nero - Keoma
William Berger - William Shannon
Olga Karlatos - Lisa
Orso Maria Guerrini - Butch Shannon
Gabriella Giacobbe - The Witch
Antonio Marsina - Lenny Shannon
Joshua Sinclair - Sam Shannon
Donald O'Brien - Caldwell
Leonardo Scavino - Doctor
Wolfango Soldati - Confederate Soldier
Victoria Zinny - Brothel Owner
Alfio Caltabiano - Member of Caldwell's Gang
Woody Strode - George


Por que me ajuda? Todos temos o direito de nascer.

A guerra? Não sei bem.
Acho que, logo que massacramos aqueles índios, achamos que deveríamos fazer algo generoso. Então demos a liberdade aos negros.
Assim, nos sentíamos bem para voltar a acabar com os índios.

Ele não pode morrer! E sabe por quê? Porque ele é livre.




Keoma é um filme que fala de legalidade, preconceitos, princípios de família e valores, com uma trilha sonora incrível e um elenco de primeira linha. Clássico do "western espaguetti", o filme é de propriedade ímpar: locação, atuação, trilha, etc., excepcionais.
O diretor, Enzo Castellari, saudado por Quentin Tarantino na utilização do título The Inglorious Bastards (1978), e que já levou até personagens shakespearianos para os saloons (Johnny Hamlet, 1968), se superou em Keoma, encabeçado pelo solitário personagem de Franco Nero.



O WESTERN, QUEM DIRIA, JÁ FOI REVOLUCIONÁRIO E CONTESTADOR...

Por Celso Lungaretti, jornalista e escritor
Fonte: http://www.jornalorebate.com.br/site/



Muitos dos que hoje se deslumbram com as estilizações de duelos e a extraordinária trilha musical de “Kill Bill” (Kill Bill: Vol. 1, 2003, e Kill Bill: Vol.2, 2004, d. Quentin Tarantino), ignoram que as primeiras inspiraram-se diretamente nas coreografias dos filmes do diretor Sergio Leone, enquanto várias músicas foram compostas há quatro décadas atrás, por Ennio Morricone, para os bangue-bangues italianos. É que Quentin Tarantino estava prestando um comovido tributo a esses dois mestres, que devem ter-lhe inspirado sonhos e brincadeiras nos seus tempos de menino.

Nascido em meados da década de 1960, o spaghetti-western lavou a alma de todos nós que gostávamos dos bangue-bangues, mas não da caretice dos norte-americanos.

Teve surpreendente sucesso nas bilheterias: "O Dólar Furado" ( Un Dollaro Bucato, 1965, d. Giorgio Ferroni), p. ex., chegou a ficar em cartaz por cerca de um ano num cinema de São Paulo. Isto se deveu não só a ter ocupado um espaço vazio, já que os norte-americanos haviam deixado de fazer westerns, como também a haver trazido um novo enfoque e uma nova moldura para o gênero.

Tirando obras de exceção como "Matar ou Morrer" (High Noon, 1952, d. Fred Zinneman), "Sem Lei e Sem Alma" (Gunfight at O.K. Corral, 1957, d. John Sturges), "O Matador" (The Gunfighter, 1950, d. Henry King), "Estigma da Crueldade" (The Bravados, 1958, d. Henry King) e "Rastros do Ódio" (The Searchers, 1956, d. John Ford), os faroestes made in USA de até então tinham o insuportável defeito de tentarem nos impingir aquela ladainha da luta eterna do Bem contra o Mal -- um tédio!

O mocinho não fumava, não bebia, não praguejava e nem trepava. A mocinha era recatada donzela. O xerife, pachorrento mas digno. Os índios, selvagens bestiais que tinham de ser tirados do caminho para não atrapalharem o progresso. Os mexicanos, beberrões subumanos.

Mesmo no mato, conduzindo boiada, o mocinho tinha a decência de manter-se sempre limpo e escanhoado. Bah!

O western italiano surgiu meio por acaso. A indústria cinematográfica italiana conseguira nos anos anteriores faturar uma boa grana com filmes épicos e mitológicos. Hércules, Maciste, Ursus, Golias, fundação de Roma, guerra de Tróia, etc. O filão, entretanto, estava esgotando-se e a Cinecittà saiu à cata de um novo produto.

Sergio Leone, então com 34 anos, tinha começado a carreira no neo-realismo italiano (como assistente de direção e diretor de segunda unidade), mas não conseguira alçar-se à direção. Era difícil abrir um espaço entre mestres como Vittorio De Sica, Lucchino Visconti, Pier Paolo Pasolini, Federico Fellini, Michelangelo Antonioni, etc.

Então, entre atuar eternamente à sombra dos medalhões do cinema de arte e mostrar seu trabalho no cinema dito comercial, escolheu a segunda opção. Depois de dirigir os épicos “Os Últimos Dias de Pompéia” (Gli Ultimi Giorni di Pompei, 1959, creditado, entretanto, a Mario Bonnard) e “O Colosso de Rodes” (Il Colosso di Rodi, 1961, d. Sergio Leone), teve a sorte de estar no lugar certo, no momento exato, para dar o pontapé de partida num novo ciclo.

Adaptou para o Oeste a história de “Yojimbo” (Yojimbo, 1961), um filme de Akira Kurosawa sobre samurai que açula a discórdia entre dois senhores feudais para prestar-lhes serviço alternadamente, sem que percebam seu jogo duplo. O que Leone fez em “Por Um Punhado de Dólares” ((Per un Pugno di Dollari, 1964), basicamente, foi mudar a ambientação e colocar um pistoleiro caça-prêmios no lugar do samurai.

O protagonista também teve aí seu grande golpe de sorte. Clint Eastwood não emplacara em Hollywood como mocinho, ficando relegado a papéis secundários em séries de TV e a filminhos classe “B” e “C”. Leone percebeu nele um bom anti-herói. Compôs seu personagem (o “Estranho Sem Nome”) com barba rala, chapéu sobre os olhos, charuto na boca, fala arrastada e um poncho. Com isto, acabou alçando-o ao estrelato e fazendo jus à homenagem que depois Eastwood lhe prestaria, ao dedicar-lhe sua obra-prima “Os Imperdoáveis” (Unforgiven, 1992, d. Clint Eastwood).

O que diferenciou o western italiano foi exatamente ter sido feito por cineastas bem diferentes dos tarefeiros hollywoodescos (os ditos “artesãos”, que se limitavam ao feijão-com-arroz artístico que lhes garantisse o dito cujo gastronômico).

Damiano Damiani, Carlo Lizzani e Sergio Corbucci eram outros talentos com a cabeça feita pelo cinema de arte, assim como o superlativo roteirista Sergio Donatti (aliás, até o grande diretor Bernardo Bertolucci chegou a desenvolver uma história para western). Então, não se limitaram a realizar filmes com muita ação e nenhuma vida inteligente; fizeram questão de deixar sua marca, passando mensagens cifradas, dando toques, propondo outra abordagem para o western.

Em vez de um palco em que o Bem vence sempre o Mal, o bangue-bangue italiano mostrou o velho Oeste como uma terra de ninguém, primitiva e selvagem, em que todos perseguem seus objetivos como podem. Evidentemente, há muito mais verossimilhança nesse enfoque do que no norte-americano. O Oeste do século 19 seria algo como o garimpo de Serra Pelada no seu apogeu. Um grotão selvagem e sem lei.

Em vez do herói, o western italiano consagrou o anti-herói: barbudo, desgrenhado, com roupas sinistras, muitas vezes um caça-prêmios, quase sempre um mau-caráter. No fundo, só se diferencia dos bandidos por agir sozinho enquanto os outros atuam em bando.

Lembrem-se: era a década de 1960, quando havia um imenso desencanto com a ordem estabelecida. Rebeldes eram tudo que queríamos ver Não suportávamos mais os heroizinhos c.d.f. de Hollywood. Os Djangos, Sabatas e Sartanas nos cativaram à primeira vista (o único mocinho nos moldes estadunidenses era o bonitão Ringo, de “O Dólar Furado”, interpretado por Giuliano Gemma).

E, enquanto os poderosos viraram vilãos, os índios e os peões mexicanos passaram a ser mostrados como vítimas e heróis. Afinal, vários cineastas italianos tinham inclinações revolucionárias, mas não havia nada revolucionário para destacar nos EUA do século 19. A solução foi transferir a ação para o efervescente México, como em "Quando Explode a Vingança" (Giù la Testa, 1971, d. Sergio Leone), "Gringo" (El Chuncho, Quién Sabe?, 1967, d. Damiano Damiani), "Reze a Deus e Cave Sua Sepultura" (Violenza al Sole, 1968, d. Florestano Vancini), "Réquiem Para Matar" (Requiescant, 1967, d. Carlo Lizzani), "Companheiros" (Vamos a Matar, Compañeros, 1970, d. Sergio Corbucci) e "O Dia da Desforra" (La Resa dei Conti, 1966, d. Sergio Sollima).

Toques esquerdistas, sim, eles podiam inserir em filmes ambientados nos EUA:

o próprio "Django" (Django, 1966, d. Sergio Corbucci), no qual os vilãos são visivelmente inspirados na Ku-Klux-Khan;
"Quando os Brutos Se Defrontam" (Faccia a Faccia, 1967, d. Sergio Sollima), reflexão sobre a gênese de líderes oportunistas;
"O Especialista" (Gli Specialisti, 1969, d. Sergio Corbucci), que coloca jovens rebeldes (referência às barricadas francesas de 1968) em ação no Oeste;
"O Vingador Silencioso" (Il Grande Silenzio, 1968, d. Sergio Corbucci), denunciando o massacre de Johnson Country, quando centenas de imigrantes eslavos foram dizimados pelos barões de gado do Wyoming – o mesmo episódio histórico que foi depois retratado em "O Portal do Paraíso" (Heaven's Gate, 1980, d. Michael Cimino);
e o extraordinário "Três Homens em Conflito" (Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo, 1966, d. Sergio Leone), com algumas das mais marcantes seqüências antibelicistas do cinema.
Uma última característica notável foi libertar a trilha musical da tirania do country. Não mais o que realmente existia nos EUA do século retrasado, como violões, violinos, banjos, gaitas e sanfonas, mas também flauta, saxofone, órgão, sintetizadores, castanholas -- tudo que se harmonizasse com o clima daquela seqüência, pouco importando se tais instrumentos eram encontrados ou não no velho Oeste. Para completar, o uso criativo de sinos, caixas de música, assobios e outros achados. Morricone é, com certeza, o melhor criador de trilhas musicais de todos os tempos.

FILMES INESQUECÍVEIS

"Quando Explode a Vingança" está entre os melhores filmes do Leone. É, na verdade, o segundo da trilogia "era uma vez", que inclui “Era Uma Vez No Oeste” (C'Era Uma Volta il West, 1968, d. Sergio Leone) e “Era Uma Vez Na América” (Once Upon a Time in América, 1984, d. Sergio Leone). Deveria ter-se chamado "Era Uma Vez A Revolução", mas acabou com um título que em italiano significa "abaixe a cabeça" e, nos EUA, "abaixe-se, otário".

Na visão do Leone, os verdadeiros heróis da revolução são os anônimos homens do povo, enquanto os líderes acabam sempre traindo a causa -- seja no México (o médico interpretado por Romolo Valli) ou na Irlanda (o dirigente do IRA que é amigo do John/James Coburn).

Foi feito em 1971, quando os movimentos revolucionários pipocavam na Itália, radicalizando-se progressivamente. Parece expressar o desencanto do Leone com o Partido Comunista Italiano e ser um alerta de que as Brigadas Vermelhas e congêneres teriam destino trágico.

Um lance interessante é mostrar de forma totalmente desumanizada o comandante das forças contra-revolucionárias: ele é visto escovando repulsivamente os dentes, chupando um ovo, olhando pelo binóculo. Leone não lhe concede sequer a dignidade da fala. De sua forma sutil, expressa o desprezo absoluto que tinha pela direita troglodita.

Outra grande sacada do Leone é ressaltar que a História nunca fixa a versão correta dos fatos. A frase que o Irlandês sempre repete, sobre "os grandes e gloriosos heróis da revolução", é um primor de sarcasmo.

* * *

"Três Homens em Conflito" foi, claramente, o divisor de águas na carreira de Sergio Leone, o momento em que ele mostrou ser muito mais do que um (brilhante) artesão.

"Por um Punhado de Dólares" introduziu a figura do anti-herói no centro da trama; a amoralidade básica dos tipos e das situações; a apresentação criativa dos letreiros iniciais, com o uso de animação; a nova concepção musical que Morricone trouxe para os westerns; e um dos personagens mais emblemáticos do bangue-bangue à italiana, o pistoleiro oportunista interpretado por Clint Eastwood.

Em "Por Uns Dólares a Mais" (Per Qualche Dollaro in Più, 1965, d. Sergio Leone), todas essas características foram desenvolvidas e aprimoradas. É um filme muito melhor do que o anterior, mas, paradoxalmente, não apresentou novidades significativas. A única que vale a pena citar é a colocação de dois personagens em destaque, em vez de um. A partir daí, os filmes de Leone trariam sempre essa dupla de anti-heróis ocupando o espaço dos antigos mocinhos. Depois dos personagens interpretados por Clint Eastwood/Lee Van Cleef em “Por Uns Dólares a Mais”, tivemos Charles Bronson/Jason Robards (“Era Uma Vez no Oeste”), Rod Steiger/James Coburn (“Quando Explode a Vingança”) e Robert De Niro/James Woods (“Era Uma Vez na América”).

"Três Homens em Conflito" foi a obra em que Leone definiu e afirmou seu estilo, embutindo no cinema de ação discussões mais profundas, sem prejuízo do entretenimento propriamente dito. É um tipo de obra em camadas. De acordo com sua sensibilidade, o espectador pode se divertir apenas com o básico ou captar os muitos toques subjacentes.

E é grandiosa a crítica que Leone fez ao belicismo, com algumas das seqüências mais comoventes que o cinema já apresentou: o oficial bêbado sem coragem para destruir a ponte, a orquestra do campo de prisioneiros tocando para abafar os ruídos da tortura, o jovem soldado agonizante a quem o Estranho Sem Nome dá seu charuto.

Nos três filmes seguintes ele dissecaria a lenda (vinganças) e a realidade (construção da ferrovia) no Velho Oeste, as verdades e mentiras de uma revolução e a transição da época glamourosa do aventureirismo para a hegemonia insípida das grandes organizações. Foi o cineasta que conseguiu ir mais longe na proposta de mesclar entretenimento e reflexão, saindo-se tão bem nas bilheterias quanto em termos de qualidade cinematográfica.

* * *

“Keoma” (Keoma, 1976, d. Enzo G. Castellari) foi o canto do cisne do western italiano. E encerrou o ciclo com extrema dignidade. Trata-se daquela única obra-prima que, às vezes, um diretor convencional faz na vida, como que para provar que tinha talento para vôos maiores.

O subtexto é riquíssimo:

a briga entre os quatro irmãos remete, evidentemente, a Freud e suas teorias sobre a horda primitiva;
o nascimento da criança num estábulo é um paralelo bíblico, assim como a crucificação do herói;
a presença da velha índia nos momentos culminantes do filme vem da mitologia grega, ela é um tipo de deusa do destino;
o herói errante em busca de um desígnio que justifique sua vida também tem inspiração mitológica;
a peste se constituiu num elemento bíblico e mitológico ao mesmo tempo, além de estabelecer uma ponte com o escritor Albert Camus ("A Peste", "O Estrangeiro"), cujas obras são uma óbvia referência no delineamento do personagem principal;
finalmente, Castellari reverencia seus mitos cinematográficos -- Keoma é filho de Shane, o herói protagonizado por Alan Ladd em "Os Brutos Também Amam" (Shane, 1953, d. George Stevens), enquanto a presença de Woody Strode no elenco constitui uma homenagem a John Ford, de quem o negro era um dos atores prediletos.
E não foi só Castellari quem se superou, atingindo uma qualidade de que ninguém o suporia capaz. A dupla de compositores Guido e Maurizio de Angelis fez uma trilha musical extraordinária, capaz de rivalizar com as melhores de Morricone. O contraste do baixo com a soprano chega a nos arrepiar, as letras se casam maravilhosamente com o filme.

Em suma: trata-se de um clássico ainda não reconhecido.


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O SUCESSO A QUALQUER PREÇO - 1992


Título Original: Glengarry Glen Ross
Direção: James Foley
Produção: Jerry Tokofsky
Roteiro: David Mamet, baseado em peça teatral de David Mamet
Gênero: Drama
Origem: EUA
Ano de lançamento: 1992
Música: James Newton Howard
Fotografia: Juan Ruiz Anchía
http://www.imdb.com/title/tt0104348/ - 7.9 /10


Sinopse:

Chicago. Os tempos estão difíceis para os corretores de imóveis de Glengary Glen Ross, submetidos a uma competição feroz imposta pela direção da firma, onde os vencedores são promovidos e os perdedores, demitidos. Nessa mentalidade de negócios predatória, valores individuais e comunitários, como a confiança, a amizade, a lealdade e a verdade, são corrompidos e se subvertem, diante da necessidade de sobrevivência, ou do sucesso a qualquer preço.


Elenco:

Al Pacino - Ricky Roma
Jack Lemmon - Shelley Levene
Alec Baldwin - Blake
Alan Arkin - George Aaronow
Ed Harris - Dave Moss
Kevin Spacey - John Williamson
Jonathan Pryce - James Lingk




O Sucesso a Qualquer Preço, de James Foley, é uma pequena pérola dos anos 90. Um filminho amargo que chama a atenção pelos diálogos e pelo elenco excelente, todo masculino.

O filme se passa durante uma noite e a manhã seguinte, quando um grupo de vendedores de imóveis precisa se virar para terminarem bem na disputa criada pela própria empresa. De estrutura quase teatral (é baseado numa peça do próprio roteirista), se resume a conversas entre os personagens (basicamente em dois ambientes: o escritório onde trabalham e um bar) e suas tentativas fracassadas de vendas. Sendo assim, texto e elenco devem ser muito afiados (e são) para manter o espectador interessado.

Tem sido comum nos últimos anos filmes que abordam a perversidade que surge das estruturas do mercado cada vez mais competitivo, mostrando como o trabalho, além de enobrecer o homem, pode corrompê-lo ou mesmo destruí-lo. O Sucesso a Qualquer Preço foi lançado há 18 anos e parece estar mais atual do que nunca, abordando essas mesmas questões já com uma acidez e pessimismo bastante incômodos, discutindo a moralidade não só das empresas, mas de seus funcionários.

Não há exatamente um protagonista no filme, e sim um time de grandes atores e interpretações históricas. É uma festa para quem realmente gosta de um filme de personagens.


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KAGEMUSHA - 1980



Título Original: Kagemusha
Direção: Akira Kurosawa
Roteiro: Masato Ide , Akira Kurosawa
Gênero: Drama / Guerra / Historico
Origem: Japão
Ano de lançamento: 1980
http://www.imdb.com/title/tt0080979/


Sinopse

Gravemente ferido durante período de guerra civil no Japão feudal, líder de clã articula a ocultação de sua morte eminente colocando um sósia em seu lugar - este um ladrão condenado a morte .


Elenco

Tatsuya Nakadai ... Shingen Takeda / Kagemusha
Tsutomu Yamazaki ... Nobukado Takeda
Kenichi Hagiwara ... Katsuyori Takeda


Ganhou dois prêmios BAFTA, nas categorias de melhor realizador e melhor guarda-roupa. Foi ainda nomeado nas categorias de: melhor filme e melhor fotografia.
Ganhou também o Prêmio César de melhor filme estrangeiro e a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

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O AGENTE DA ESTAÇÃO – 2003


Título Original: The Station Agent
Direção: Thomas McCarthy
Roteiro: Thomas McCarthy
Gênero: Drama/Comédia
Origem: EUA
Ano de lançamento: 2003
Música: Stephen Trask
Fotografia: Oliver Bokelberg
Direção de arte: Len Clayton
Edição: Tom McArdle
http://www.imdb.com/title/tt0340377/ - 7.8 /10


Sinopse:

Nascido com nanismo, Finbar anseia por uma vida tranqüila e reservada para fugir da atenção demasiada que a sua pequena estatura provoca. Ele passa a maior parte do tempo cuidando de sua maior paixão: os trens. Após a morte do seu único amigo e colega de trabalho, recebe de herança uma estação de trem abandonada no campo, e se muda na esperança de encontrar a paz que tanto deseja. O que ele não esperava era ter como vizinhos uma artista que está passando por uma terrível tragédia pessoal e um vendedor cubano de cachorro-quente excessivamente amigável


Elenco:

Peter Dinklage - Finbar McBride
Patricia Clarkson - Olivia Harris
Bobby Cannavale - Joe Oramas
Raven Goodwin - Cleo
Paul Benjamin - Henry Styles
Michelle Williams - Emily
Ileen Getz - Sra. Kahn
Joe Lo Truglio - Danny


Premiações:

Recebeu o BAFTA Award por melhor roteiro original (Thomas McCarthy)

Recebeu o Boston Society of Film Critics Award por melhor atriz coadjuvante (Patricia Clarkson)

Recebeu o Chlotrudis Award por melhor elenco, melhor ator coadjuvante (Bobby Cannavale) e melhor atriz coadjuvante (Patricia Clarkson); indicado para melhor ator (Peter Dinklage), melhor filme e melhor roteiro original

Recebeu o Florida Film Critics Circle Award por melhor atriz coadjuvante (Patricia Clarkson)

Recebeu o Independent Spirit Award por melhor roteiro e o prêmio John Cassavetes; indicado para o Independent Spirit Award por melhor ator (Peter Dinklage)

Recebeu o Kansas City Film Critics Circle Award por melhor atriz coadjuvante (Patricia Clarkson)

Recebeu o Las Vegas Film Critics Society Award por melhor roteiro

Recebeu o National Board of Review Award por melhor atriz coadjuvante (Patricia Clarkson)

Recebeu o National Society of Film Critics Award por melhor atriz coadjuvante (Patricia Clarkson)

Recebeu o Sundance Film Festival Prêmio Drama da Audiência melhor filme, o Prêmio do Juri especial para Patricia Clarkson e o Sundance Film Festival Waldo Salt Screenwriting Award

Indicado para o Writers Guild of America Award por melhor roteiro original

Recebeu o Marrakech International Film Festival Prêmio do Júri especial (Thomas McCarthy)

Recebeu o Mexico City International Contemporary Film Festival Prêmio da Audiência (Thomas McCarthy)

Recebeu o Ourense Independent Film Festival Prêmio de melhor ator (Peter Dinklage) e o Grand Prize (Thomas McCarthy)

Recebeu o San Sebastián International Film Festival SIGNIS Award - Special Mention (Thomas McCarthy) e o Special Prize of the Jury (Thomas McCarthy); indicado para o Golden Seashell (Thomas McCarthy)

Recebeu o Stockholm Film Festival Prêmio da Audiência (Thomas McCarthy)
Indicado para o Chicago Film Critics Association Award por ator mais promissor (Peter Dinklage)

Indicado para o Satellite Award por melhor roteiro original

Indicado para o Screen Actors Guild Award for Outstanding Performance pelo conjunto do elenco, por principal personagem masculino (Peter Dinklage) e por personagem feminino (Patricia Clarkson)


Um anão herda uma estação de trem em Nova Jersey e faz amizade com uma artista e um vendedor de cachorro-quente. Você vai sair correndo de casa para ver esse filme? Provavelmente não, mas é essa toda a magia dos trabalhos que jamais caberiam em formatos comerciais, pedras preciosas que só podem ser garimpadas em festivais de cinema, É acima de tudo mais uma prova de que não é preciso um grande orçamento para se fazer um excelente filme.

O Agente da Estação transcende qualquer sinopse. A história gira em torno do baixinho Finbar McBride (Peter Dinklage). Ele é alguém que resguarda sua privacidade a todo custo mas que, por conta de seu tamanho, constantemente se vê atraindo atenções indesejadas. Diariamente Fin suporta as observações e piadas cruéis de estranhos, que o levaram a isolar-se por trás de uma espécie de muralha de proteção, mantendo-se a salvo do mundo externo.
A austera sinceridade que Dinklage empresta ao seu personagem é a base fundamental do filme. O seu Finbar prende-nos desde o primeiro momento em que o vemos na tela, com os seus modos elegantes e a gigantesca humanidade que transmitem os seus olhos. Finbar assume bem a sua solidão; fala o suficiente e move-se com serenidade, com gestos precisos e medidos.

O Agente da Estação é o primeiro filme de Thomas McCarthy, que tem trabalhado sobretudo no teatro (como ator, diretor e dramaturgo). Numa época em que se torna difícil saber onde termina um filme e onde começa o correspondente video-game, é muito gratificante encontrar pequenas maravilhas como esta, que nos comove manejando os melhores recursos de que sempre se valeu a arte de narrar: ter uma boa história e expressá-la por meio de boas personagens como Finbar, Joe e Olivia. Este estranho trio poderia ser o ponto de partida para um melodrama desatado e com um final trágico, mas não é o que acontece aqui. Thomas McCarthy opta pelo traço amável, levando-nos pela mão com suavidade, sem excesso, até sairmos do cinema mais felizes do que entramos, com um sorriso agradecido das satisfações sutis. Enquanto assistimos ao filme, tudo o que nos interessa são os três amigos improváveis cuja amizade é ao mesmo tempo comovente e inspiradora. A flexibilidade e sutileza com que o diretor desenrola a história são tão grandes que somente ao terminar compreendemos sua lição de sabedoria.


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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

PRODUTORA HAMMER


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FILMES DA PRODUTORA HAMMER


Drácula

1958 - O Vampiro da Noite ( Dracula / Horror of Dracula ) Dir: Terence Fisher. Com Christopher Lee, Peter Cushing, Michael Gough e Melissa Stribling.
1966 - Drácula, o Príncipe das Trevas ( Dracula, Prince of Darkness ) Dir: Terence Fisher. Com Christopher Lee, Barbara Shelley, Andrew Keir, Francis Matthews e Suzan Farmer.
1968 - Drácula, o Perfil do Diabo ( Dracula Has Risen from the Grave ) Dir: Freddie Francis. Com Christopher Lee, Rupert Davies, Veronica Carlson, Barbara Ewing e Barry Andrews.
1970 - O Sangue de Drácula ( Taste the Blood of Dracula ) Dir: Peter Sasdy. Com Christopher Lee, Geoffrey Keen, Gwen Watford, Linda Hayden, Ralph Bates e Anthony Corlan.
1970 - O Conde Drácula ( Scars of Dracula ) Dir: Roy Ward Baker. Com Christopher Lee, Dennis Waterman, Jenny Hanley, Christopher Matthews e Patrick Troughton.
1972 - Drácula no Mundo da Minissaia ( Dracula A.D. 1972 ) Dir: Alan Gibson. Com Christopher Lee, Peter Cushing, Stephanie Beacham, Michael Coles e Caroline Munro.
1974 - Os Ritos Satânicos de Drácula ( The Satanic Rites of Dracula / Count Dracula and His Vampire Bride ) Dir: Alan Gibson. Com Christopher Lee, Peter Cushing, Michael Coles, William Franklyn, Freddie Jones e Joanna Lumley.
1974 - A Lenda dos Sete Vampiros ( The Legend of the 7 Golden Vampires / The Seven Brothers Meet Dracula ) Dir: Roy Ward Baker. Com Peter Cushing, David Chiang, Julie Ege, Robin Stewart e John Forbes-Robertson.


A Trilogia Karnstein

1970 - Carmilla, a Vampira de Karnstein ( The Vampire Lovers ) Dir: Roy Ward Baker. Com Peter Cushing, Ingrid Pitt, George Cole, Kate O’ Mara, Ferdy Mayne, Madeline Smith e Dawn Addams.
1971 - Luxúria de Vampiros ( Lust for a Vampire ) Dir: Jimmy Sangster. Com Ralph Bates, Barbara Jefford, Suzanna Leigh, Michael Johnson e Yutte Stensgaard.
1971 - As Filhas de Drácula ( Twins of Evil ) ING 1971. Dir: John Hough. Com Peter Cushing, Dennis Price, Mary Collinson, Madelaine Collinson, Damien Thomas e David Warbeck.


Mais Vampiros

1960 - As Noivas de Drácula ( The Brides of Dracula ) Dir: Terence Fisher. Com Peter Cushing, Freda Jackson, Martita Hunt, Yvonne Monlaur e David Peel.
1964 - O Beijo do Vampiro ( The Kiss of the Vampire ) Dir: Don Sharp. Com Clifford Evans, Edward de Souza, Noel Willman, Jennifer Daniel e Barry Warren.
1971 - A Condessa Drácula ( Countess Dracula ) Dir: Peter Sasdy. Com Ingrid Pitt, Nigel Green, Sandor Elès, Maurice Denham e Lesley Anne Down.
1972 - O Circo dos Vampiros ( Vampire Circus ) Dir: Robert Young. Com Adrienne Corri, Thorley Walters, John Moulder-Brown, Anthony Corlan, Laurence Payne e Elizabeth Seal.
1973 - Capitão Kronos ( Captain Kronos, Vampire Hunter ) Dir: Brian Clemens. Com Horst Janson, John Carson, Shane Briant, Caroline Munro, Ian Hendry e Wanda Ventham.


Frankenstein

1957 - A Maldição de Frankenstein ( The Curse of Frankenstein ) Dir: Terence Fisher. Com Peter Cushing, Christopher Lee, Hazel Court, Robert Ulquhart.
1958 - A Vingança de Frankenstein ( The Revenge of Frankenstein) Dir: Terence Fisher. Com Peter Cushing, Francis Matthews, Eunice Gayson, Michael Gwynn.
1964 - O Monstro de Frankenstein ( The Evil of Frankenstein ) Dir: Freddie Francis. Com Peter Cushing, Peter Woodthorpe, Duncan Lamont, Katy Wild.
1967 - …E Frankenstein Criou a Mulher ( Frankenstein Created Woman ) Dir: Terence Fisher. Com Peter Cushing, Susan Denberg, Thorley Walters, Robert Morris.
1969 - Frankenstein Tem Que Ser Destruído! ( Frankenstein Must be Destroyed! ) Dir: Terence Fisher. Com Peter Cushing, Veronica Carlson, Maxine Audley, Freddie Jones. 1970 - Horror de Frankenstein ( Horror of Frankenstein ) Dir: Jimmy Sangster. Com Ralph Bates, Kate O’ Mara, Veronica Carlson, Dennis Price.
1974 - Frankenstein and the Monster from Hell ( inédito ) Dir: Terence Fisher. Com Peter Cushing, Shane Briant, Madeline Smith, Bernard Lee.


Múmia

1959 - A Múmia ( The Mummy ) Dir: Terence Fisher. Com Christopher Lee, Peter Cushing, Yvonne Furneaux, Eddie Byrne, Felix Aylmer, Michael Ripper.
1964 - A Maldição da Múmia ( The Curse of the Mummy’s Tomb ) ING 1964. Dir: Michael Carreras. Com Terence Morgan, Ronald Howard, Fred Clark, Jeanne Roland, Jack Gwillim.
1966 - A Mortalha da Múmia / O Sarcófago Maldito ( The Mummy’s Shroud ) Dir: John Gilling. Com Andre Morell, John Phillips, David Buck, Elizabeth Sellars, Maggie Kimberly.
1971 - Sangue no Sarcófago da Múmia ( Blood from the Mummy’s Tomb ) Dir: Seth Holt / Michael Carreras. Com Andrew Keir, Valerie Leon, James Villiers, Hugh Burden, George Coulouris.


Dr. Jekyll e Mr. Hyde

1960 - O Monstro de Duas Caras ( The Two Faces of Dr. Jekyll )Dir: Terence Fisher. Com Christopher Lee, Oliver Reed, Paul Massie, Dawn Addams, David Kossoff, Norma Marla, Magda Miller, Helen Goss.
1971 - O Médico e a Irmã Monstro ( Dr. Jekyll and Sister Hyde ) Dir: Roy Ward Baker. Com Ralph Bates, Martine Beswick, Gerald Sim, Lewis Fiander, Susan Broderick, Dorothy Alison, Irene Bradshaw.


Diversos

1955 - Terror Que Mata (The Quatermass Xperiment / The Creeping Unknown). Dir: Val Guest.
1956 - O Estranho de Um Mundo Perdido (X The Unknown). Dir: Leslie Norman.
1957 - A Usina dos Monstros (Quatermass 2 – Enemy From Space). Dir: Val Guest.
1957 - O Monstro do Himalaia ( The Abominable Snowman ) Dir: Val Guest. Com Peter Cushing, Forrest Tucker, Maureen Connell, Richard Wattis, Robert Brown, Michael Brill.
1959 - O Homem Que Enganou A Morte (The Man Who Could Cheat Death) Dir: Terence Fisher.
1959 - O Cão dos Baskervilles ( The Hound of the Baskervilles ) Dir: Terence Fisher. Com Peter Cushing, Christopher Lee, Andre Morell, Francis De Wolff, David Oxley, John Le Mesurier e Helen Goss.
1960 - The Stranglers of Bombay Dir: Terence Fisher.
1961 - Shadow of The Cat Dir: John Gilling.
1961 - The Full Treatment / Stop Me Before I Kill Dir: Val Guest.
1961 - The Terror of The Tongs Dir: Anthony Bushell.
1961 - Um Grito de Pavor (Taste of Fear) Dir: Seth Holt
1961 - A Maldição do Lobisomen ( The Curse of the Werewolf ) Dir: Terence Fisher. Com Oliver Reed, Clifford Evans, Yvonne Romain, Catherine Feller, Anthony Dawson, Josephine Llewellyn.
1962 - O Fantasma da Ópera ( The Phantom of the Opera ) Dir: Terence Fisher. Com Herbert Lom, Heather Sears, Thorley Walters, Michael Gough, Edward de Souza, Miriam Karlin, John Harvey.
1962 - Criaturas da Noite (Captain Clegg) Dir: Peter Graham Scott.
1963 - O Maníaco (Maniac) / Michael Carreras.
1963 - O Mundo os Condenou / Os Malditos (The Damned / These Are The Damned) Dir: Joseph Losey.
1963 - Paranóico (Paranoiac) Dir: Freddie Francis.
1963 - A Velha Casa Assombrada ( The Old Dark House ) Dir: William Castle. Com Tom Poston, Robert Morley, Janette Scott, Joyce Grenfell, Fenela Fielding, John Harvey.
1964 - A Górgona ( The Gorgon ) Dir: Terence Fisher. Com Christopher Lee, Peter Cushing, Richard Pasco, Barbara Shelley, Michael Goodliffe, Patrick Troughton.
1964 - Cilada Diabólica (Nightmare) Dir: Freddie Francis.
1965 - A Deusa da Cidade Perdida (She) Dir: Robert Day.
1965 - Fanatismo Macabro (Fanatic) Dir: Silvio Narizzano.
1965 - Nas Garras do Ódio (The Nanny) Dir: Seth Holt.
1965 - Terrível Pesadelo (Hysteria) Dir: Freddie Francis.
1966 - Epidemia de Zumbis ( The plague of the Zombies ) Dir: John Gilling. Com Andre Morell, Diane Clare, Brook Williams, Jacqueline Pearce, John Carson, Michael Ripper.
1966 - Rasputin, O Monge Louco ( Rasputin – The Mad Monk ) Dir: Don Sharp. Com Christopher Lee, Barbara Shelley, Richard Pasco, Francis Matthews, Susan Farmer, Renée Asherson.
1966 - A Serpente ( The Reptile ) Dir: John Gilling. Com Noel Willman, Jennifer Daniel, Ray Barrett, Jacqueline Pearce, Michael Ripper, John Laurie.
1966 - A Face do Demônio / Bruxa, A Face do Demônio ( The Witches / The Devil’s Own ) Dir: Cyril Frankel. Com Joan Fontaine, Kay Walsh, Alec McCowen, Ann Bell, Ingrid Boulting, Michele Dotrice, Duncan Lamont.
1966 - Um Milhão de Anos A.C. / Mil Séculos Antes de Cristo (One Million Years B.C.) Dir: Don Chaffey.
1967 - Mulheres Pré-Históricas (Slave Girls / Prehistoric Women) Dir: Michael Carreras.
1967 - Uma Sepultura na Eternidade (Five Million Years to Earth / Quatermass And The Pit) Dir: Roy Ward Baker.
1968 - As Bodas de Satã ( The Devil Rides Out ) Dir: Terence Fisher. Com Christopher Lee, Charles Gray, Nike Arrighi, Leon Greene, Patrick Mower, Gwen Ffrangcon Davies, Sarah Lawson.
1968 - A Vingança da Deusa (The Vengeance of She) Dir: Cliff Owen.
1968 - Jornada do Terror (Journey Into Midnight) Dir: Roy Ward Baker & Alan Gibson.
1968 - O Aniversário (The Anniversary) Dir: Roy Ward Baker.
1968 - O Continente Esquecido (The Lost Continent) Dir: Michael Carreras.
1969 - Gangsters na Lua (Moon Zero Two) Dir: Roy Ward Baker.
1970 - Num Crescendo de Violência (Crescendo) / Alan Gibson.
1970 - Quando os Dinossauros Dominavam a Terra (When Dinosaurs Rules The Earth) Dir: Val Guest.
1971 - As Mãos do Estripador (Hands of the Ripper) Dir: Peter Sasdy.
1971 - Criaturas que o Mundo Esqueceu (Creatures the World Forgot) Dir: Don Chaffey.
1972 - A Vida Íntima de Um Anormal (Straight On Till Morning) Dir: Peter Collinson.
1972 - Demônios da Mente (Demons of the Mind) Dir: Peter Sykes
1972 - Um Grito Dentro da Noite (Fear in the Night) Dir: Jimmy Sangster.
1974 - Me Chamam o Destruidor (Shatter) Dir: Michael Carreras & Monte Hellman.
1976 - Uma Filha Para o Diabo ( To the Devil a Daughter ) Dir: Peter Sykes. Com Christopher Lee, Richard Widmark, Honor Blackman, Denholm Elliott, Nastassja Kinski, Anthony Valentine.
1979 - Mistérios na Bavária (The Lady Vanishes) Dir: Anthony Page.


TELEVISÃO

1958 - Tales of Frankenstein, série de TV com apenas o episódio piloto “The Face in the Tombstone Mirror”, que não foi exibido.
1968-69 - Enigma (Journey to the Unknown), série de TV (17 episódios)
1980 - A Casa do Terror (Hammer House of Horror), série de TV (13 episódios)
1984 - Suspense (Hammer House of Mystery and Suspense / Fox Mystery Theater), série de longas-metragens de 75 minutos, produzidos especialmente para a TV (13 episódios)




Para qualquer aficionado por cinema de horror a palavra "Hammer" naturalmente se associa ao gênero que a consagrou. Porém, quando a Hammer Films tornou-se famosa mundialmente com as novas versões de Frankenstein e Drácula nos anos 50, produções que colocaram Peter Cushing e Christopher Lee no caminho anteriormente percorrido Karloff e Lugosi, ela já tinha muitos anos na produção de filmes na bagagem. As verdadeiras origens da Hammer Films remontam a 1913, quando Enrique Carreras comprou seu primeiro cinema em Hammersmith, Londres, negócio que ele foi gradualmente ampliando, desenvolvendo uma rede de salas de exibição. Carreras fez sociedade com William Hinds, este último um homem de negócios no ramo das jóias, metido no teatro de variedades com o nome artístico de Will Hammer. Juntos estabeleceram em 1935 uma companhia distribuidora de filmes, a Exclusive Films Ltd., trabalhando com filmes baratos e de baixa qualidade. Após a segunda Guerra, a Hammer - então subsidiária da Exclusive - incentivada a produzir filmes para suprir o mercado inglês recebeu o impulso necessário para se reformular e tentar uma melhor posição no mercado. Foram produzidas várias fitas modestas, de curta duração, em sua maioria thrillers de ação, espionagem e ficção científica. Os programas de rádio ingleses da época também serviram de base para algumas produções.

Durante a década de 50, as audiências cada vez mais encontravam seu entretenimento diário na tv, forçando os cinemas a oferecerem mais pelo dinheiro pago pelos ingressos e reconquistar o público. Muitos cinemas viram-se, inclusive, obrigados a fechar as suas portas, reduzindo as bilheterias disponíveis, o que por sua vez diminuiu os rendimentos - as companhias se beneficiavam de um recebimento fixo estabelecido indiferente ao êxito das produções. Os filmes se tornaram mais longos e foram introduzidas inovações como o CinemaScope. Para conseguir ser sucesso internacional um filme agora necessitava de astros de primeira grandeza - muito além dos recursos de uma pequena companhia como a Hammer - ou de algum aspecto de apelo extraordinário para compensar sua ausência. A Hammer, tendo à frente Michael Carreras (neto de Enrique) e Anthony Hinds (filho de William) - encontrou esse último elemento com a ficção científica Terror que Mata ( The Quatermass Xperiment - com essa ortografia arranjada para enfatizar o "X" que determina o certificado de filme somente para adultos).

Terror que Mata (1955) foi o primeiro empreendimento da Hammer que veio a tornar-se um grande sucesso internacional. Derivado de uma série que fez sucesso na tv em julho/agosto de 53, o filme dirigido por Val Guest preservou a qualidade da série original. Na trama, o professor Quatermass, o homem que pôs no espaço o primeiro foguete britânico, investigava o desaparecimento de dois astronautas em seu retorno. O único sobrevivente era afetado por misteriosas alterações e lentamente sucumbia à força alienígena que o possuía e transformava em um monstro que terminava sendo eletrocutado nas proximidades da Abadia de Westminster.
Graças ao êxito desse filme e após duas produções subsequentes (X-The Unknown e Quatermass II - Enemy From Space) a Hammer estava pronta para dar seu grande passo aos filmes de horror que a consagraram.

Aproveitando a tendência do público a seu favor, resolveu-se direcionar a produção para os filmes de terror, revitalizando nas telas os velhos monstros da Universal, vistos anteriormente nos filmes de horror americanos dos anos 30. Frankenstein e Drácula iniciaram essa leva. Dois importantes aspectos que consolidaram uma base sólida nessas e nas produções posteriores foram por um lado uma equipe assídua e fixa, que garantiam a eficiência e qualidade, somadas a muita seriedade e hábilidade em economia de produção. Também o uso da cor foi um fator decisivo.
.O primeiro foi A Maldição de Frankenstein (The Curse of Frankenstein), dirigido por Terence Fisher e estrelando um ator relativamente desconhecido: Peter Cushing. Logo em seguida veio o primeiro filme de Drácula, Horror de Drácula (Dracula ou Horror of Dracula) também dirigido por Terence Fisher e lançando outro ator - Christopher Lee - ao estrelato. Estes dois filmes ficaram como os maiores sucessos da Hammer, tendo rendido cerca de quatro milhões de libras e iniciado o filão que fez do nome Hammer um sinônimo de Horror no mundo inteiro, iniciando também um renascimento do gênero que se expandiu. Vale ressaltar que tal desempenho não foi mais conseguido nas produções que se seguiram.

.A Maldição de Frankenstein é a famosa história de Mary Shelley sobre Frankenstein e seu monstro. Pareceu ideal principalmente por estar em domínio público. Jimmy Sangster baseou seu roteiro na história original, todavia, tinha muito em comum com o clássico da Universal de 1931. Peter Cushing interpretou o barão Victor Frankenstein, que monta uma criatura utilizando partes de corpos humanos. O cérebro, danificado durante uma luta entre Frankenstein e seu assistente, resulta em um monstro (interpretado pelo pouco conhecido Christopher Lee) que ganha vida com violentas tendências criminosas as quais resultam em uma série de assassinatos pelos quais Frankentein é responsabilizado e condenado à morte na guilhotina.
O principal inconveniente na produção foi a proibição do uso da famosa maquiagem projetada por Jack Pierce para Boris Karloff no filme da Universal, protegida por direitos autorais. Phil Leakey, o maquiador da Hammer, apesar de tentar ser mais fiel à criatura idealizada por Mary Shelley, não foi inteiramente capaz de corresponder ao impacto necessário por tal criação. Mas o filme teve diversas vantagens, entre elas ter sido filmado em cores, então nada comum nesse tipo de filme porém bastante eficaz para realçar o impacto das partes sangrentas e violentas. Seus cenários, música e fotografia são excelentes. Foi realizado com bastante competência, ajudado pela sensível performance de Peter Cushing.

.Restaurou também a dignidade a um monstro que, desgastado nas mão da Universal, havia degenerado em um panaca coadjuvante de Abbott & Costello (Abbott and Costello Meets Frankenstein / 1948).

.O sucesso do filme, que obteve as maiores rendas entre todas as produções dos estúdios britânicos naquele ano, fez com que a Hammer logo anunciasse seu próximo empreendimento: Dracula.

.Com o mesmo time de produção e intérpretes, Horror de Drácula fez ainda mais sucesso, além de redefinir o modo de tratar o tema "vampiro" nos filmes. Christopher Lee, recém saído da maquiagem de monstro assumiu a responsabilidade de arrepiar o público como a personificação do Conde Drácula, enquanto Peter Cushing retratava o eminente vampirologista Dr. Van Helsing, equipado com crucifixos, estacas de madeira, alho e toda a parafernália que sua ocupação exigia. Também em cores, o filme foi muito além da versão original com Bela Lugosi, a começar por Lee, que, com sua cara de morto vivo era o próprio vampiro por trás de suas lentes oculares amarelas e vermelhas. Imponente, alto e elegante, investiu de poder e sensualidade diabólica sua caracterização, deixando transparecer toda a maldade necessária. Não foi à toa que Lee sempre será para os amantes do gênero o maior intérprete de Drácula, sua personificação. A interpretação teatral de Bela Lugosi, com seu gestual exagerado deu lugar à ação vigorosa, violenta, onde o sangue escorria em vermelho technicolor de mulheres decotadíssimas, ofegantes de prazer pela investida do Conde Lee. As estacas eram impiedosamente atravessadas e Cushing deu respeitabilidade ao nome Van Helsing, identificando-se com o personagem e popularizando-o. Entre os momentos memoráveis desse grande filme, temos a cena em que Jonathan Harker (John Van Eyssen) enterra uma estaca no coração da bela vampira que repousava em seu caixão, tornando-a uma horrível velha e o eletrizante final quando, durante o confronto, Van Helsing puxa as cortinas e forma uma cruz com dois castiçais, forçando Drácula a ficar exposto ao sol, cujo efeito é devastador. Só sobram as cinzas, que são levadas por uma rajada de vento.

Não vamos pormenorizar aqui todos os outros filmes de Frankenstein ou Drácula pela Hammer - isso fica para uma outra oportunidade - muito menos todas as produções de horror. Seria necessário um livro para isso. O importante é que graças ao sucesso desses filmes a Hammer decolou durante os anos sessenta, partindo para filmes com outros monstros famosos que já haviam feito carreira na Universal, todos produções com o padrão Hammer e memoráveis sob vários aspectos.Os próprios estúdios de Holywood se renderam cedendo direitos para remake.

Na primeira fase vamos destacar, todos dirigidos por Terence Fisher:

A Múmia ( The Mummy - 1959) , com Jimmy Sangster dando novo tratamento ao velho roteiro do filme de 1932 com Boris Karloff. Nesta nova versão, Christopher Lee no papel título como a múmia que volta a vida em busca de vingança contra os que profanaram a tumba de sua amada. Peter Cushing também presente como um sobrevivente da expedição que encontrou a tumba.

O Monstro de Duas Caras ( The Two Faces of Dr. Jekyll - 1960) foi a primeira produção da Hammer a abordar a história de Robert Louis Stevenson O Médico e o Monstro. De maneira engenhosa mudaram a forma como o sinistro Mr. Hyde havia sido caracterizado anteriormente, evidenciando o conflito de personalidades. Ao contrário do monstro cabeludo e simiesco dos primeiros filmes, o Hyde da Hammer tinha boa aparência. Era cool, jovial e sádico, para contrastar com um sisudo e grisalho Dr. Jekyll.

Em As Noivas de Drácula ( The Brides of Dracula - 1960) Peter Cushing permanecia como Van Helsing mas Christopher Lee foi substituído por David Peel como o Barão Meinster, o vampiro que é mantido em um castelo por sua mãe, que também lhe fornece as vítimas. É considerado um dos melhores filmes da Hammer no gênero.

A Maldição do Lobisomem ( The Curse of the Werewolf - 1961) trazia Oliver Reed como o jovem Leon, amaldiçoado a transformar-se em lobisomem nas noites de lua cheia. O filme traça toda a sua trajetória desde o nascimento até o trágico fim.

No remake de O Fantasma da Ópera ( The Phantom of the Opera - 1962) Herbert Lom ganhou o papel antes interpretado por Lon Chaney e Claude Rains nas versões anteriores.

Os anos setenta foram marcados por algumas produções memoráveis por sua ousadia e criatividade, mas também pela decadência da Hammer. O sexo e a violência foram realçados, os decotes aumentaram e a nudez pronunciou-se, com farto sortimento de seios. Foi o período "tits - and - teeth". É desse período a série de filmes com vampiras: Os Amantes Vampiros ( The Vampire Lovers), Luxúria de Vampiros ( Lust for a Vampire), As Filhas de Drácula ( Twins of Evil) e A Condessa Drácula ( Countess Dracula). Foram produzidos no período 1970 - 71. Os três primeiros (dirigidos respectivamente por Roy Ward Baker, Jimmy Sangster e John Hough) baseados no romance Carmilla de Sheridan Le Fanu traziam as deliciosas Ingrid Pitt, Yutte Stensgaard e as gêmeas Madeleine e Mary Collinson. Vampirismo e lesbianismo também estão presentes em A Condessa Drácula, dirigido por Peter Sasdy, onde Ingrid Pitt personifica a Condessa Elisabeth Nadasdy, uma óbvia referência à Condessa Bathory - a louca que no séc. XVII se banhava no sangue de suas vítimas.

Também do início dessa década temos o curioso O Médico e a Irmã Monstro ( Dr. Jekyll & Sister Hyde - 1971) de Roy Ward Baker, onde o Dr. Jekyll (Ralph Bates) sintetiza uma fórmula à partir de hormônios femininos e, ao aplicá-la em si mesmo transforma-se em uma bela mulher (Martine Beswick).

Em 1972 e 73, com Drácula no Mundo da Minissaia ( Dracula A.D.1972) e Os Ritos Satânicos de Drácula ( The Satanic Rites of Dracula) vemos a Hammer tentar se adaptar aos novos anseios do público. Em ambos os filmes, Christopher Lee e Peter Cushing voltam a encarnar Drácula e Van Helsing, agora na Londres pop dos seventies. No primeiro Drácula é ressuscitado por um discípulo moderno (Johnny Alucard) durante um ritual de missa negra em uma igreja abandonada. O segundo era uma esquisita mistura de filme de vampiro com James Bond. As forças de segurança inglesas procuram Van Helsing para desvendar os mistérios de uma estranha organização que promovia cerimônias satânicas com importantes figuras políticas. Nesse filme tem de tudo, desde gangs motorizadas até um grupo de mulheres-vampiro como guardas da casa onde se realizavam as cerimônias. É claro que o Conde estava por trás de tudo como o cabeça da organização e que detinha em seu poder um vírus mortal capaz de dizimar populações. Não precisa nem explicar porque o filme não deu certo e encerrou a carreira do Drácula da Hammer. O próprio Christopher Lee não gostou do filme.

A realidade porém era que o gosto do público mudou e já não mais se entusiasmava pelas velhas e já gastas fórmulas. O culto aos filmes de vampiros e monstros definhou e morreu, em parte culpa do grande número de imitadores com produções de baixa qualidade que na cola do sucesso da Hammer invadiu o mercado.

Também os punhos e pés de Bruce Lee, com seus socos e chutes agora empolgavam mais do que caninos ponteagudos, monstruosidades e seios pulando para fora de decotes. Era a época do Kung Fu. Em sua tentativa de se adaptar a Hammer acabou por decretar seu fim. Michael Carreras, na tentativa de garantir a sobrevivência da Companhia, tratou a realização de dois filmes em co-produção com os Shaw Brothers de Hong Kong. O primeiro foi A Lenda dos Sete Vampiros ( The Legend of the Seven Golden Vampires - 1973), dirigido por Roy Ward Baker. Parecia excelente a idéia de combinar vampiros com artes marciais, porém, nem mesmo Peter Cushing em seu invariável papel de Van Helsing parecia convincente. Shatter (1974), um constrangedor thriller de ação estrelado por Stuart Withman e dirigido pelo próprio Michael Carreras foi a segunda malfadada tentativa de juntar ocidente e oriente.

A co-produção Hammer/ Terra Filmkunst (Alemanha) Uma Filha para o Diabo ( To The Devil a Daughter - 1976) marcou o fim de uma era. Também não traduziu o "espírito" da Hammer para os novos tempos. Já bastante abalada e desgastada por problemas financeiros, a que foi a produtora independente britânica mais criativa encerrou suas atividades.Porém tudo o que a Hammer nos proporcionou ficará para sempre em nossas lembranças. Ela renovou o terror com um estilo único, agora datado, mas característico e incomparável. Suas imagens continuarão assombrando, imagens que já se incorporaram ao nosso inconsciente e nele permanecerão enquanto vivermos passando para as novas as gerações que conhecem o terror limitado aos efeitos especiais e tripas por tripas. Sempre nos lembraremos nas noites de lua de belas vampiras prontas a nos fazerem conhecer os segredos do amor e da morte, ou dos sinistros ladrões de sepulturas e cientistas prontos a descortinar o limiar entre o racional e as trevas. Lobisomens, múmias, criaturas que só saem à noite... Todo um imaginário tomou forma por intermédio de nomes como Michael Carreras, Anthony Hinds, Anthony Nelson-Keyes, Freddie Francis, Jimmy Sangster, Roy Ward Baker, Terence Fisher, Peter Cushing, Christopher Lee, e toda uma equipe de técnicos e artistas. A Hammer Films viverá para sempre. Seus vampiros, monstros capengas e assombrações continuarão se arrastando no sótão de nossa imaginação.



HAMMER A CASA DO TERROR (TV) - 1980


Título original: Hammer House of Horror
Produtora Hammer
Gênero: Horror/Mistério
Origem: Inglaterra


Sinopse:

Série de filmes para a TV de Terror e Suspense da grande produtora Hammer, são 13 capitulos com cerca de 50 minutos cada, durou alguns poucos meses em 1980, mas se transformou em um clássico, com fãs em todo o mundo, parte dos grandes nomes dos filmes da Hammer participam desta série como Peter Cushing, Denholm Elliott, e outros que nunca participaram destes clássicos como Brian Cox e Pierce Brosnan.


1º capítulo Witching Time - Bruxa do século 17 aparece na fazenda de David Winter um compositor nos dias atuais, ameaçando escraviza-lo pela eternidade. Foi ao ar em 12 de abril de 1980.
Diretor: Don Leaver
Elenco: Jon Finch, Patricia Quinn, Prunella Gee, Ian McCulloch

2º capítulo The Thirteenth Reunion - Uma jornalista onbstinada investiga as atividades por trás de uma clínica suspeita, e acaba descobrindo o que acontece com pessoas que vão com muita fome atrás de uma notícia. Foi ao ar originalmente em 20 de setembro de 1980.
Diretor: Peter Sasdy
Elenco: Julia Foster, Dinah Sheridan, Richard Pearson, Norman Bird, Warren Clarke, George Innes, James Cosmo


3º capítulo Rude Awakening - Um agente imobiliario vive um pesadelo acordado , quando todos os dias parecem se repetir, porem com eventos cada vez mais drásticos.Foi ao ar originalmente em 27 de setembro de 1980.
Diretor: Peter Sasdy
Elenco: Denholm Elliott, James Laurenson, Pat Heywood, Lucy Gutteridge, Eleanor Summerfield, Gareth Armstrong, Patricia Mort.


4º capítulo Growing Pains - Após a morte de seu filho William Morton, a diplomata Laurie Morton e seu marido o cientista Terence Morton, adotam um garoto , James, apartir do momento que James chega, coisas estranhas começam a acontecer na casa dos Morton. Foi ao ar originalmente em 04 de outubro de 1980.
Diretor: Francis Megahy
Elenco: Barbara Kellerman, Gary Bond, Norman Beaton, Tariq Yunus, Matthew Blakstad, Christopher Reilly, Daphne Anderson.


5º capítulo The House that bled to Death - Uma família enfrenta um verdadeiro pesadelo quando se muda para uma casa com passado violento, que assombra os moradores e começa a sangrar.Foi ao ar originalmente em 11 de outubro de 1980.
Diretor: Tom Clegg
Elenco: Nicholas Ball, Rachel Davies, Brian Croucher, Patricia Maynard, Milton Johns, Emma Ridley, Joanne White, George Tovey, Una Brandon-Jones.

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BRINQUEDO DE CRIANÇA - 1986



Título original: Child's Play, from Hammer House of Mystery and Suspense
Direção: Val Guest
Produtora Hammer
Gênero: Horror/Mistério
Origem: Inglaterra


SINOPSE:

Um casal classe média americana acorda para mais um dia normal, a espôsa Ann Preston(Mary Crosby) desce as escadas para preparar o breakfast e percebe que além do calor estar aumentando no termômetro, as janelas, portas e todas as saídas da casa estão bloqueadas por um tipo de chapa de aço intransponível.
Apavorada, acorda o marido Mike(Nicholas Clay) e sua filha Sarah(Debbie Chasan) e tentam escapar da casa sem sucesso. Mike desconfia que o governo americano está por trás disso, bloqueando as casas, por motivo de uma 3ª Guerra Mundial e ataque de bombas nucleares.
Mas nem o telefone e rádio funcionam, a televisão apenas mostra um símbolo desconhecido e o terror deles aumenta quando uma estranha gosma verde começa a descer pela chaminé da casa.


ELENCO:

Mary Crosby ... Ann Preston
Nicholas Clay ... Mike Preston
Debbie Chasan ... Sarah Preston
Suzanne Church ... Mãe
Joanna Joseph ... Filha


Apesar de pertencer a uma série de filmes produzidos pela britânica Hammer, intitulados de "Hammer House of Mystery and Suspense", o filme Child's Play (apresentado como o 12º episódio ), foi lançado em circuito de cinema aqui no Brasil nos anos 80.
Considerado o melhor dos filmes desse período pela Hammer, a trama fantástica com final surpreendente, foi dirigido pelo mestre e histórico diretor Val Guest ( dos filmes do Quatermass, The Abominable Snowman, When the Dinosaurs Ruled the Earth e do clássico James Bond,Casino Royale de 67 ) baseado num roteiro de Graham Wassell.
Este seria o último filme de Val Guest e particularmente considero Child's Play como um dos melhores sci-fi/suspense já realizados.
O filme vai te envolvendo, aumentando sua curiosidade ao extremo e causa enorme surpresa ao fim da trama. Um dos meus favoritos de todos os tempos que recomendo entusiasticamente. – cine space monster


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CAPTAIN CLEGG, CRIATURAS DA NOITE - 1962


Título original: Night Creatures, Captain Clegg
Direção: Peter Graham Scott
Produtora Hammer
Gênero: Horror
Origem: Inglaterra
Ano: 1962


Sinopse:

Capitão de um navio pirata, se disfarça de reverendo, em uma comunidade, para escapar da marinha inglesa, e para facilitar o contrabando de mercadorias, mas região próxima da pequena cidade esta amaldiçoada, pelo que parece ser cavaleiros fantasmas


Elenco:

Peter Cushing ... Rev. Dr. Blyss
Yvonne Romain ... Imogene - serving wench
Patrick Allen ... Capt. Collier
Oliver Reed ... Harry Cobtree
Michael Ripper ... Jeremiah Mipps (coffinmaker)
Martin Benson ... Mr. Rash (innkeeper)
David Lodge ... Navy bos'un
Derek Francis ... Squire Anthony Cobtree
Daphne Anderson ... Mrs. Rash
Milton Reid ... The Mulatto
Jack MacGowran ... Frightened Man
Terry Scully ... Sailor Dick Tate
Sydney Bromley ... Old Tom Ketch
Peter Halliday ... Sailor Jack Pott
Rupert Osborne ... Gerry (como Rupert Osborn)


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EPIDEMIA DE ZUMBIS - 1966


Título original: The Plague of the Zombies
Direção: John Gilling
Roteiro: Peter Bryan
Produtora: Hammer
Origem: Inglaterra
Ano: 1966
Gênero: Horror/Suspense


Sinopse:

Uma estranha epidemia de proporções gigantescas toma conta do território inglês. Milhares de mortos levantam-se das suas tumbas aterrorizando o mundo dos vivos. O Dr. Peter Thompson (Brook Williams), com a ajuda do seu mestre, Sir James Forbes (André Morell), tenta controlar a terrível praga. Suas investigações levam-no a uma horrível descoberta...


Elenco:

André Morell, Diane Clare, Brook Williams, Jacqueline Pearce, John Carson, Alexander Davion, Michael Ripper, Marcus Hammond, Dennis Chinnery, Louis Mahoney, Roy Royston, Ben Aris, Tim Condren


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QUANDO OS DINOSSAUROS DOMINAVAM A TERRA - 1970


Título original: When Dinosaurs ruled the Earth
Direção: Val Guest
Roteiro: Val Guest, baseado em história de J.G. Ballard
Gênero: Aventura, Fantasia, Ficção Científica
País: Inglaterra
Ano: 1970
Produtora Hammer
Idioma: Introdução Inglês, após grunhidos e gestos


Sinopse:

Mulher pré-histórica é banida por sua tribo. Um valente guerreiro junta-se a ela e os dois vivem uma movimentada aventura enfrentando tribos inimigas e gigantescos dinossauros.


Elenco:

Victoria Vetri; Robin Hawdon; Patrick Allen; Imogen Hassall


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NAS MÃOS DO ESTRIPADOR - 1971

Título original: Hands of the Ripper
Direção: Peter Sasdy
Roteiro: L.W. Davidson, baseado em estória de Edward Spencer Shew
Gênero: Horror
Produtora Hammer
Origem: Inglaterra
Ano: 1971
http://www.imdb.com/title/tt0067176/ - 6.1/10


Sinopse:

Médico fica fascinado com o comportamento de uma jovem e procura as causas que a levam a um transe durante o qual comete terríveis crimes, aparentemente possuída por seu pai Jack the Ripper

Elenco:

Eric Porter, Jane Merrow, Angharad Rees

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O MONSTRO DE FRANKENSTEIN - 1964


Título original: The Evil of Frankenstein
Direção: Freddie Francis
Roteiro: Anthony Hinds
Gênero: Horror/ Ficção Científica
Origem: Inglaterra
Ano: 1964
Produtora Hammer
Origem: Inglaterra


Sinopse:

Quando o doutor Frankenstein descobre a sua criatura congelada, resolve voltar aos seus experimentos macabros. Este é o terceiro filme da série Frankenstein produzido pela Hammer e mais uma vez interpretando o genial cientista Barão de Frankenstein temos o espetacular PETER CUSHING, que sem dúvida trouxe vida e um aspecto de total profissionalismo ao personagem,vendo Cushing interpretar o Barão com toda sua calma, olhar de superioridade e paixão, nos faz acreditar realmente nas cenas, até a maneira como ele segura o bisturi com levesa e segurança, cria a impressão de realidade, mesmo os efeitos da época sendo precarios, é ai que se tem a importancia destes grandes artistas como Cushing, Price, Lee,Carradine, Lugosi, e Karloff, neste capitulo o monstro volta a ter caracteristicas semelhantes ao monstro criado por Jack Pierce do clássico de 1931 da Universal, porque neste mesmo ano de 1964 a Universal liberou os direitos sobre a maquiagem do monstro.


Elenco:

Peter Cushing, Duncan Lamont, Sandor Eles, Peter Woodthorpe, Katy Wild

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